O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT) preparou quatro pontos para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião desta quarta-feira (7), em Brasília. Em conversa com O Fator, ele antecipou que pretende defender mudanças na comunicação do governo e uma nova abordagem para temas como preço dos alimentos e da gasolina, segurança pública e Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação de Rousseff é que a mudança não pode ficar restrita à linguagem ou ao formato das publicações. Para ele, o governo precisa mudar também o conteúdo que leva às redes e apresentar respostas para os temas que mais preocupam o eleitor.
“Não é só mudar as redes sociais. É mudar também o que nós estamos comunicando. Parece que o nosso governo virou o governo das pequenas causas, enquanto o outro lado está passando a imagem de que é a mudança”, afirmou.
Preço dos alimentos e gasolina
O primeiro eixo envolve o custo de vida. O sobrinho neto da ex-presidente Dilma pretende cobrar de Lula uma proposta concreta para reduzir o preço dos alimentos e transformar o tema em uma das principais bandeiras da campanha.
“Qual é a proposta prática, enfática do Lula, da nossa campanha presidencial, para poder abaixar o preço dos alimentos na marra?”, questionou.
A mesma cobrança será feita em relação à gasolina. O deputado eleito quer uma resposta imediata para o preço do combustível e uma proposta que possa ser comunicada diretamente ao eleitor.
Segurança pública
A segurança pública será outro ponto central da conversa. Rousseff avalia que a esquerda deixou de disputar esse debate ao longo das últimas décadas e acabou permitindo que a direita construísse, no imaginário popular, a imagem de que apenas ela defende medidas mais duras contra a criminalidade.
“A esquerda se furtou desse debate erradamente ao longo dos últimos 30 anos e ficou parecendo, no imaginário popular, que a esquerda defende bandido, enquanto nós não defendemos bandido”, afirmou.
Entre as propostas está o aumento das penas e mudanças no sistema de Justiça para evitar que criminosos sejam presos e liberados sucessivamente.
“Não dá para o cara roubar um telefone hoje, ser detido e amanhã ser solto, porque esse mesmo circo se repete dez vezes. Temos milhares de casos no nosso país em que o cara foi preso vinte vezes e foi solto vinte vezes. É isso que nós não podemos permitir”, disse.
Supremo e Flávio Bolsonaro
O quarto ponto é o Supremo Tribunal Federal. Rousseff quer que o governo também dispute o discurso de mudança no Judiciário, hoje explorado pela oposição.
Na avaliação do deputado eleito, Flávio Bolsonaro conseguiu ocupar esse espaço mesmo diante das acusações que, segundo ele, atingem o candidato do PL e sua relação com pessoas investigadas. Rousseff cita especificamente Daniel Vorcaro.
“O Flávio Bolsonaro é o mais pilantra, o mais bandido, que está mais envolvido com Daniel Vorcaro e companhia. E mesmo assim, aos olhos da população brasileira, ele é o cara que representa a mudança e que vai botar ordem no Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
A proposta levada a Lula inclui uma discussão sobre mudanças no sistema e sobre os limites da atuação dos ministros do STF.
“Não dá mais para serem intocáveis. Não dá mais para a gente ter alguns poucos ministros ali que estão envolvidos em escândalos de corrupção, em coisa errada com gente que está presa nesse momento. Não dá, não é aceitável isso”, disse.
Para Rousseff, a disputa nas redes passa, portanto, por uma mudança mais profunda na estratégia do governo. A ideia é fazer com que Lula deixe de apenas reagir aos temas levantados pela oposição e passe a apresentar propostas próprias para os assuntos que dominam a preocupação do eleitor.
“Quando a gente fala de mudar as redes sociais, é mudar também as propostas. Se a gente não começar a debater os temas principais que esse país precisa, como o preço dos alimentos, preço da gasolina e segurança pública, aumentando a rigidez contra a bandidagem, ou nós estamos ferrados”, afirmou.