Os pedidos que Pedro Rousseff levará a Lula

Deputado eleito por Minas vai defender mudanças na comunicação do governo e propostas sobre alimentos, gasolina e segurança
Pedro Rousseff durante agenda em Plenário em Belo Horizonte.
Deputado federal Pedro Rousseff (PT) (CMBH/REPRODUÇÃO)

O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT) preparou quatro pontos para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião desta quarta-feira (7), em Brasília. Em conversa com O Fator, ele antecipou que pretende defender mudanças na comunicação do governo e uma nova abordagem para temas como preço dos alimentos e da gasolina, segurança pública e Supremo Tribunal Federal (STF).

Como mostrou O Fator mais cedo, Rousseff foi um dos jovens parlamentares convidados para ajudar a organizar a estratégia das redes sociais do mandato de Lula no segundo turno. De Minas Gerais, ele e a deputada eleita Ana Elisa (PT) foram chamados para participar da reunião com o presidente.

A avaliação de Rousseff é que a mudança não pode ficar restrita à linguagem ou ao formato das publicações. Para ele, o governo precisa mudar também o conteúdo que leva às redes e apresentar respostas para os temas que mais preocupam o eleitor.

“Não é só mudar as redes sociais. É mudar também o que nós estamos comunicando. Parece que o nosso governo virou o governo das pequenas causas, enquanto o outro lado está passando a imagem de que é a mudança”, afirmou.

Preço dos alimentos e gasolina

O primeiro eixo envolve o custo de vida. O sobrinho neto da ex-presidente Dilma pretende cobrar de Lula uma proposta concreta para reduzir o preço dos alimentos e transformar o tema em uma das principais bandeiras da campanha.

“Qual é a proposta prática, enfática do Lula, da nossa campanha presidencial, para poder abaixar o preço dos alimentos na marra?”, questionou.

A mesma cobrança será feita em relação à gasolina. O deputado eleito quer uma resposta imediata para o preço do combustível e uma proposta que possa ser comunicada diretamente ao eleitor.

Segurança pública

A segurança pública será outro ponto central da conversa. Rousseff avalia que a esquerda deixou de disputar esse debate ao longo das últimas décadas e acabou permitindo que a direita construísse, no imaginário popular, a imagem de que apenas ela defende medidas mais duras contra a criminalidade.

“A esquerda se furtou desse debate erradamente ao longo dos últimos 30 anos e ficou parecendo, no imaginário popular, que a esquerda defende bandido, enquanto nós não defendemos bandido”, afirmou.

Entre as propostas está o aumento das penas e mudanças no sistema de Justiça para evitar que criminosos sejam presos e liberados sucessivamente.

“Não dá para o cara roubar um telefone hoje, ser detido e amanhã ser solto, porque esse mesmo circo se repete dez vezes. Temos milhares de casos no nosso país em que o cara foi preso vinte vezes e foi solto vinte vezes. É isso que nós não podemos permitir”, disse.

Supremo e Flávio Bolsonaro

O quarto ponto é o Supremo Tribunal Federal. Rousseff quer que o governo também dispute o discurso de mudança no Judiciário, hoje explorado pela oposição.

Na avaliação do deputado eleito, Flávio Bolsonaro conseguiu ocupar esse espaço mesmo diante das acusações que, segundo ele, atingem o candidato do PL e sua relação com pessoas investigadas. Rousseff cita especificamente Daniel Vorcaro.

“O Flávio Bolsonaro é o mais pilantra, o mais bandido, que está mais envolvido com Daniel Vorcaro e companhia. E mesmo assim, aos olhos da população brasileira, ele é o cara que representa a mudança e que vai botar ordem no Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

A proposta levada a Lula inclui uma discussão sobre mudanças no sistema e sobre os limites da atuação dos ministros do STF.

“Não dá mais para serem intocáveis. Não dá mais para a gente ter alguns poucos ministros ali que estão envolvidos em escândalos de corrupção, em coisa errada com gente que está presa nesse momento. Não dá, não é aceitável isso”, disse.

Para Rousseff, a disputa nas redes passa, portanto, por uma mudança mais profunda na estratégia do governo. A ideia é fazer com que Lula deixe de apenas reagir aos temas levantados pela oposição e passe a apresentar propostas próprias para os assuntos que dominam a preocupação do eleitor.

“Quando a gente fala de mudar as redes sociais, é mudar também as propostas. Se a gente não começar a debater os temas principais que esse país precisa, como o preço dos alimentos, preço da gasolina e segurança pública, aumentando a rigidez contra a bandidagem, ou nós estamos ferrados”, afirmou.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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