O favorito para assumir a presidência do Conselho de Administração da Copasa

Cargo está vago desde a noite dessa quinta-feira (12), quando Hamilton Amadeo entregou carta de renúncia
Gustavo Barbosa utiliza microfone
Gustavo Barbosa é o favorito para assumir a presidência do Conselho da Copasa. Foto: Willian Dias/ALMG

Ex-secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa é o favorito para substituir Hamilton Amadeo na presidência do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Ele já é um dos integrantes do comitê da empresa.

O cargo de comando está vago desde a noite dessa quinta-feira (12), quando Amadeo entregou carta de renúncia por causa do vazamento de uma delação premiada em que confessou o pagamento de propina a políticos quando foi CEO da Aegea, empresa privada do setor de saneamento.

Além de participar do Conselho da Copasa, Barbosa é um dos três assessores especiais do vice-governador Mateus Simões (PSD). Ele ainda compõe o comitê montado pelo Palácio Tiradentes para tratar de assuntos ligados à participação de Minas no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A mudança no Conselho da Copasa acontece em meio ao processo de privatização da empresa. O grupo marcou, para o próximo dia 23, uma assembleia de acionistas para debater a modelagem proposta pelo governador Romeu Zema (Novo) para a venda de ao menos uma parte dos 50,3% que o estado possui na estrutura acionária da empresa.

Delação

A delação de Hamilton Amadeo consta em reportagem do Uol sobre pagamentos indevidos em processos de concessão de saneamento. Os casos não guardam relação com a Copasa.

Segundo os documentos citados na reportagem, Amadeo relatou ter autorizado, em 2012, o envio de R$ 8 milhões a Wilson Carlos, que era secretário do governo de Sérgio Cabral no estado do Rio de Janeiro. O pagamento teria sido condição para a assinatura de um aditivo contratual da concessionária Prolagos, pertencente à Aegea. 

Ele também detalhou pagamentos em Mato Grosso do Sul, incluindo R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha de, Gilmar Olarte, ex-prefeito de Campo Grande, e R$ 4 milhões destinados à campanha de Alcides Bernal, que também administrou a cidade.

Amadeo afirmou ainda ter se reunido em junho de 2015 com o então governador sul-matogrossense, Reinaldo Azambuja, em Campo Grande, para acertar pessoalmente R$ 2 milhões em despesas eleitorais. O executivo disse ter fornecido aos procuradores detalhes logísticos da viagem e o prefixo da aeronave usada para comprovar o encontro.

Reforma estatutária

O presidente do Conselho de Administração tem a função de mediar a assembleia de acionistas. Se a sessão terminar com aval à proposta de Zema para a privatização, o estatuto da Copasa será reformado.

O chefe do Executivo deseja a venda de ações do estado na empresa por meio da chamada oferta secundária, em que não há a emissão de novos títulos. O modelo também permite que a verba arrecadada siga diretamente para os cofres públicos do acionista vendedor — no caso, o governo mineiro. 

Um dos cenários projetados por Zema prevê a manutenção de 5% do capital societário nas mãos do estado. Para isso ocorrer, contudo, será preciso fechar acordo com um parceiro de referência.

Por outro lado, a proposta contempla a possibilidade de venda total das ações do governo caso não haja um investidor de referência.

Como O Fator já mostrou, o Palácio Tiradentes acredita que será possível encontrar esse parceiro de referência, tornando o modelo sem um parceiro estratégico menos provável.

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