O novo capítulo da disputa pela presidência nacional do Cidadania

Freire assumiu o comando da legenda em 1992, com a criação do antigo Partido Popular Socialista (PPS)
roberto freire
Presidente do Cidadania coleciona mandatos de deputado federal por Pernambuco e São Paulo, além ter ocupado uma cadeira no Senado. Foto: Flickr Roberto Freire

Presidente nacional do Cidadania, o ex-senador Roberto Freire (PE), protagonizou nessa segunda-feira (9) mais um capítulo na disputa interna sobre os rumos do partido. Durante reunião virtual do diretório nacional, Freire impediu a manifestação e o voto de dirigentes que articulavam uma chapa contra a sua permanência no comando da sigla. Com os microfones dos demais participantes silenciados, o dirigente afirmou aos correligionários que foi reeleito presidente por unanimidade.

Integrantes do diretório nacional ouvidos por O Fator lamentaram a condução do ex-senador na reunião.

“Parecia disputa de movimento estudantil. Foi surpreendente assistir a uma pessoa com a trajetória de Roberto Freire liderar um episódio tão autoritário”, disse, sob reservas, um membro da direção do Cidadania.

Freire convocou para 24 de fevereiro uma nova reunião do diretório nacional, em que serão discutidas as regras para a convocação de um congresso extraordinário.

Liderada pelo ex-presidente nacional do partido, Comte Bittencourt, a corrente de oposição a Freire discute alternativas judiciais para contestar a reunião dessa segunda.

Comte presidiu o partido de 2023 a dezembro do ano passado, quando uma liminar determinou o retorno de Freire à função. A O Fator, o atual presidente disse que a decisão judicial do fim do ano passado impedia a realização de disputa de chapa na reunião dessa segunda-feira.

Antes da saída em 2023, Freire ficou por mais de 30 anos à frente do Cidadania, antes chamado de PPS. O entendimento de parte do diretório nacional é que a alternância de poder é importante para a sobrevivência da legenda. Por isso, as críticas ao retorno dele.

Com Lula ou contra Lula

Nos bastidores do Cidadania, o consenso é de que a disputa interna tem motivação eleitoral. Sob a gestão de Comte Bittencourt, o partido estava próximo de consolidar uma federação com o PSB e de apoiar a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Já Roberto Freire é aliado histórico do PSDB e tenta conduzir a legenda a apoiar um candidato mais ao centro. O nome preferido do dirigente é o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).

“Há uma ala do partido que quer fazer com que a gente volte no tempo e se torne um satélite do PT, que encarna tudo o que há de mais atrasado no campo da esquerda no Brasil. O caminho que nós queremos construir é com Eduardo Leite, longe do petismo e do bolsonarismo”, disse Freire.

Após conversar com aliados nesta terça-feira (10), Comte Bittencourt informou a O Fator que já prepara um recurso, a ser apresentado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), contra a reunião liderada por Freire nessa segunda.

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