O otimismo da Vale pela repactuação e o novo sistema de indenização aos atingidos de Mariana

Mineradora e membros do poder público acreditam que acordo sairá em outubro
A barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu em novembro de 2015 matando 19 pessoas e gerando um dano ambiental ainda incalculável. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
A barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu em novembro de 2015 matando 19 pessoas e gerando um dano ambiental ainda incalculável. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

A mineradora Vale anunciou a investidores, na noite desta quarta-feira (11), que as negociações pela repactuação do acordo de reparação da barragem de Mariana “estão avançadas”, mas que ainda nenhum acordo definitivo foi alcançado. No comunicado enviado ao mercado, a empresa afirma, ainda, que “espera chegar a um acordo final no processo de mediação em outubro”. Além da Vale, participam das negociações as empresas BHP Billiton e Samarco, e representantes dos governos de Minas, Espírito Santo e da União, além de instituições do poder público, como MPF, MPMG e MPES.

O Fator vem acompanhando as negociações da repactuação e mostrou, ao longo das últimas semanas, que as conversas de fato avançaram desde o início de agosto, a ponto de ter se criado expectativa para que o anúncio fosse feito ainda em setembro. A mudança aconteceu por conta das eleições municipais – partes envolvidas na mesa de negociação optaram por aguardar as urnas e evitar um possível uso político-eleitoral do acordo.

Pelo que a reportagem apurou, ainda que a negociação esteja bem avançada e deve ser anunciada na primeira quinzena de outubro, ainda há pontos que aguardam por definição, como o trabalho a ser feito quanto à presença de metais no rio e as ações relacionadas aos Povos Tradicionais.

O que já está definido é a criação de um sistema de pagamento de indenização residual para os atingidos que não receberam por outras formas – como o Novel, criado pela Justiça federal – mas se cadastraram ou ajuizaram ações até determinadas datas. Essa indenização será no valor de R$ 30 mil para cada atingido reconhecido nestes termos – o que, pelos cálculos de interlocutores ligados à mesa de negociação, alcançará quase 400 mil pessoas.

A propósito, o desembolso dessas indenizações individuais serão feitas fora do teto limite de gastos, especulado de ser na casa dos R$ 9 bilhões, às obrigações de fazer das empresas. Esse sistema de indenizações ainda será nomeado – não será mais o “Pisu”, como discutido ao longo de reuniões em junho.

Nesta quarta-feira (11), o ministro Alexandre Silveira chegou afirmar, em entrevista ao ‘Poder 360’, que o valor total da repactuação deve atingir R$ 167 bilhões ao todo, sendo, deste valor, R$ 100 bilhões de “dinheiro novo” a ser repassado aos governos federal, de Minas e do Espírito Santo. Outros R$ 37 bilhões seriam, segundo os negociadores, o montante supostamente já gasto – sabe-se lá com o quê – pela Fundação Renova.

Em agosto, O Fator mostrou que as mineradoras haviam proposto R$ 21 bilhões em obrigações a fazer ou a pagar, mas que a União ainda buscava um aumento de pelo menos R$ 8 bilhões na categoria. Pela declaração de Silveira, é possível que as empresas tenham elevado para R$ 30 bi neste quesito.

A barragem de Fundão, em Mariana, se rompeu em novembro de 2015 matando 19 pessoas e gerando um dano ambiental ainda incalculável.

Leia também:

Moraes autoriza suspensão de pena de advogada mineira condenada pelo 8 de janeiro

O que fez a Justiça impedir conglomerado francês de vender ações do Grupo Pão de Açúcar

Pai de Ana Paula Renault foi eleito quase 20 vezes para presidir previdência da ALMG

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse