O avanço da combinação informal de votos em Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB), o chamado “Marécio”, é apontado por integrantes da base política da petista em Contagem, seu principal reduto eleitoral, como um dos fatores prejudiciais à campanha dela campanha ao Senado Federal.
A avaliação ganhou força em meio a dois encontros organizados em menos de 24 horas pelo sucessor de Marília na prefeitura, Ricardo Faria (PSD), para cobrar maior empenho de aliados nesta reta final.
Aliados dela reticentes com o “Marécio” avaliam que Marília iniciou a corrida buscando o eleitorado mais ao centro e, a partir da entrada de Aécio na disputa, passou a concorrer com ele por uma fatia semelhante da população. Como os candidatos mais identificados com a direita oscilaram menos em pesquisas de intenção de voto, apoiadores da petista passaram a entender que o tucano avançou principalmente sobre votos antes atribuídos à petista.
Apesar de dominar as conversas reservadas, o “Marécio” não foi abordado abertamente em nenhuma das duas reuniões.
De acordo com participantes, a cautela se deve à presença de tucanos tanto na Prefeitura de Contagem quanto na base de apoio na Câmara Municipal. Uma discussão direta sobre o tema poderia criar constrangimentos dentro do próprio grupo político.
Nos últimos dias, porém, Faria vem “desaconselhando” integrantes do governo a aderirem à combinação de votos.
A dobradinha informal entre a petista e o tucano provocou uma reação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante ato em Montes Claros (Novo), Lula rejeitou a combinação e reafirmou o apoio à chapa formada por Marília e Áurea Carolina (Psol).
Segundo apuração de O Fator, o presidente havia sido informado sobre o avanço do “Marécio” e sobre a percepção de que a campanha de Marília não vinha conseguindo conter o movimento. A ex-prefeita nega participação na articulação e mantém Áurea como sua parceira oficial na disputa pelo Senado.
Desarmando a ‘bomba’
O primeiro convocado por Faria, nessa segunda-feira (21), reuniu secretários, subsecretários e outros integrantes da administração. O segundo, promovido no início da manhã desta terça (22), contou com vereadores da base governista.
Em ambos, o recado foi o mesmo: prioridade máxima à candidatura de Marília.
Faria reconheceu que secretários e vereadores têm compromissos partidários próprios e apoiam diferentes candidatos a deputado estadual e federal, mas cobrou de todos apoio e envolvimento na campanha ao Senado.
Embora o prefeito não tenha manifestado abertamente preocupação com o desempenho da candidata, entre os participantes prevaleceu uma percepção de tensão eleitoral. O sentimento foi compartilhado por integrantes das duas reuniões ouvidos por O Fator.
Segundo esses interlocutores, o clima de apreensão já circula há alguns dias entre os aliados de Marília. Como a candidata não deverá intensificar sua agenda em Contagem, a estratégia é concentrar esforços no interior e deixar a mobilização no município a cargo da base política ligada à prefeitura.