A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de aproveitar a visita a Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para criticar publicamente a combinação de votos entre Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo Senado nasceu da percepção do entorno dele de que a campanha da petista não vinha atuando para conter a movimentação.
Lula passou a reprimenda nessa quinta-feira (17). No discurso, reafirmou a dobradinha de Marília com Áurea Carolina (Psol) e deixou claro que não endossa o chamado “Marécio”.
Segundo apurou O Fator, Lula foi informado nos últimos dias sobre o avanço da articulação que une informalmente Marília e Aécio. Ele reagiu negativamente à costura e recebeu relatos de que eleitores e apoiadores da ex-prefeita de Contagem vinham estimulando o segundo voto no tucano.
Antes de chegar pessoalmente a Lula, o assunto já havia provocado mal-estar no PT e entre auxiliares do presidente. Interlocutores do chefe do Executivo federal e parlamentares petistas manifestaram incômodo com a associação, sobretudo pelo histórico de Aécio na disputa presidencial de 2014 e pelos ataques a Dilma Rousseff durante a campanha.
No palanque, Lula resgatou justamente esse episódio ao criticar Aécio. Também rejeitou a possibilidade de combinar o voto de Marília com outros nomes de centro-direita, como Marcelo Aro (PP).
A preocupação do presidente alcança ainda o chamado “voto útil”. A estratégia vinha sendo defendida por uma parcela do eleitorado lulista que considera votar em Aécio como segundo voto para tentar barrar um candidato identificado com o bolsonarismo. Lula, porém, reforçou que sua orientação é pela chapa Marília e Áurea.
Rusgas acumuladas
O episódio é mais um capítulo de uma crise que vem incomodando o PT. Como mostrou O Fator, Marília foi chamada pela direção partidária para tratar do assunto, negou que sua campanha estivesse articulando o “Marécio” e, depois, reuniu o núcleo duro da candidatura para afirmar que nenhuma movimentação a favor do tucano seria admitida.
Marília segue negando envolvimento na articulação e mantém Áurea como sua parceira oficial na disputa pelo Senado.