O telefonema de Mateus Simões a Nikolas Ferreira

Ligação foi lida como movimento que aproxima as lideranças e reforça a segurança pública como eixo político comum
Mateus e Nikolas estiveram no Bope. Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG

Uma ligação do vice-governador Mateus Simões para o deputado federal Nikolas Ferreira na quinta-feira (4) funcionou não só como pedido técnico, mas também como gesto político. O movimento aproximou PSD e PL em um momento em que os dois campos ensaiam composições para 2026 e colocou a segurança pública, tema que lidera a lista de preocupações do eleitor, no centro da conversa.

Simões buscou o parlamentar para sugerir uma mudança no artigo 328 do Código Penal, que trata do crime de usurpação de função pública. Ele quer endurecer a pena para civis que portam fardamento policial.

Hoje, quem é flagrado apenas com a peça, mas sem vesti-la, recebe punição de três meses de detenção. O vice-governador considera a pena irrisória e afirma que não há justificativa para alguém que não seja agente de segurança ou fornecedor credenciado ter acesso ao uniforme.

A pauta foi bem recebida por Nikolas, segundo interlocutores. O deputado teria se comprometido a analisar a proposta. 

Cálculo político

No entorno dos dois, a avaliação é de que essa é apenas a superfície. Ou seja, a ligação se soma a outros sinais de convergência entre as duas lideranças.

O cálculo político se apoia em dados recentes. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 38% dos brasileiros apontam a violência como principal problema do país. A leitura predominante é de que a segurança pública tende a ser uma das principais bandeiras de posicionamento em 2026, o que tem levado diferentes grupos a disputar protagonismo no tema.

O timing da ligação também chamou atenção. Traficantes que trocaram tiros durante um churrasco que terminou com dois mortos e nove baleados na quinta-feira (4), em Belo Horizonte, usavam uniformes da Polícia Civil. Eles portavam ainda distintivos, carregadores, munições de calibres restritos e um cinto tático da corporação.

Megaoperação no Rio foi bem avaliada

A operação policial deflagrada pelo governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro, no fim de outubro, reforçou a percepção de que o combate à criminalidade pode ser decisivo nas próximas eleições. 

Mesmo com 120 mortos, a ação rendeu ao governador meio milhão de novos seguidores em apenas dois dias e foi considerada “um sucesso” por 57% dos moradores da capital e da Região Metropolitana, segundo o Datafolha. 

O episódio virou referência para estrategistas que monitoram a capacidade de ações de segurança converterem apoio político.

Outros sinais

Esse não foi o primeiro movimento de aproximação entre Simões e Nikolas, liberado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro de concorrer ao Palácio Tiradentes.

Recentemente, o deputado publicou um vídeo com uma solicitação ao vice-governador, que foi prontamente atendida. A resposta também veio pelas redes sociais, publicizando o gesto.

O próprio Nikolas e outros integrantes do PL têm participado de agendas com o governador Romeu Zema (Novo) e com o vice-governador, que busca se consolidar como nome competitivo para a sucessão ao governo de Minas. Uma delas, no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Belo Horizonte.

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