Otto Levy aceita presidir a Cemig, e indicação tem boa recepção no mercado e na política

Engenheiro e ex-secretário de Planejamento comunicou a decisão a Cleitinho e avisou a CSN que deixará a diretoria da empresa
O engenheiro Otto Levy. Foto: Henrique Chendes

O engenheiro Otto Levy aceitou o convite para presidir a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) no governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos). Pelo que O Fator apurou, ele comunicou ao governador eleito a decisão e já iniciou a transição na CSN Mineração, onde é diretor, e deixará o cargo para assumir a estatal.

Levy também informou a decisão a lideranças políticas e a agentes do mercado financeiro. Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, a indicação foi bem recebida nos dois setores.

O engenheiro foi secretário de Planejamento e Gestão nos três primeiros anos do governo Romeu Zema (Novo) e conduziu as negociações do acordo de reparação de Brumadinho com a Vale.

Segundo esses interlocutores, a boa recepção se deve ao perfil técnico de Levy e à passagem dele pelo governo e pela iniciativa privada. No mercado, a avaliação é de que ele conhece a máquina pública e tem experiência na gestão de grandes empresas. Entre lideranças políticas, a indicação foi vista como um sinal de que Cleitinho pretende entregar a gestão da Cemig a um nome de perfil técnico.

A Cemig é uma empresa de economia mista controlada pelo governo de Minas e tem ações negociadas na bolsa. Por isso, a escolha do presidente é acompanhada de perto por investidores.

Do governo à iniciativa privada

Levy foi secretário de Planejamento e Gestão de janeiro de 2019 a abril de 2021. No cargo, esteve à frente das negociações que resultaram no acordo de reparação de Brumadinho, assinado em fevereiro de 2021.

Depois de deixar o governo, foi para a CSN, onde ocupa desde junho de 2021 o cargo de diretor de Investimentos.

Antes, trabalhou por dez anos na Magnesita Refratários, onde chegou a diretor-geral de Operações, e foi consultor e sócio da Falconi Consultoria de 1995 a 2008.

É formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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