Pressionada nos bastidores, vice-líder de Marília entrega o cargo após racha sobre reajuste salarial

Adriana Souza deixou o posto nesta terça-feira (24), após criticar nas redes aumento de 9,2% aprovado por colegas
Foto: Élis Junior / Comunicação CMC

O desconforto gerado por críticas públicas ao segundo reajuste salarial dos vereadores em menos de seis meses derrubou a vice-líder do governo Marília Campos (PT) na Câmara de Contagem. Na sessão plenária desta terça-feira (24), a vereadora Adriana Souza (PT) anunciou sua renúncia ao posto, em um gesto para conter o desgaste com os colegas da base aliada.

No discurso de renúncia, Adriana afirmou que abriu mão do cargo como “medida preventiva a qualquer instabilidade que meus posicionamentos autônomos possam ocasionar”.

“Minha posição, portanto, foi tomada de forma autônoma, amadurecida, em consonância com a expectativa dos meus eleitores e eleitoras e em debate franco com a presidência da Casa”, disse.

O estopim para a crise foi a manifestação contrária da vereadora ao aumento de 9,24% nos salários dos parlamentares — o segundo em menos de seis meses.

As críticas repercutiram mal entre os aliados do governo, que passaram a considerar Adriana um fator de desgaste para a imagem da Casa.

Duas semanas antes, a insatisfação ganhou contorno de crise quando três projetos de lei enviados pela Prefeitura, já prontos para votação, tiveram a análise adiada após vereadores da base do governo pedirem vistas — instrumento utilizado por parlamentares para solicitar um prazo adicional para analisar um processo ou projeto de lei antes de deliberar sobre o texto

Adriana Souza não participou da sessão que sacramentou o reajuste de 9,24%. No dia em que a proposta foi analisada, a parlamentar cumpria agendas em Brasília (DF). A petista, contudo, utilizou as redes sociais para criticar os colegas e anunciou que doará integralmente o valor líquido referente ao aumento — R$ 1.393,82 mensais — para instituições ou movimentos sociais

“Enquanto parlamentares reajustam seus próprios salários em busca do teto, categorias como enfermagem e educação seguem lutando por um piso”, afirmou, nas redes, à época do reajuste.

Resposta

Após o pronunciamento na sessão desta terça, Adriana Souza foi criticada por alguns colegas, que criticaram partes do discurso.

O primeiro a se manifestar contrariamente foi o decano da Casa, o vereador Arnaldo de Oliveira (Solidariedade), que está no 11º mandato.

Arnaldo negou a existência de um mal-estar com a colega. Segundo ele, além do aumento aos vereadores, foram concedidos reajustes aos vencimentos dos servidores da Prefeitura de Contagem, dos secretários municipais, da prefeita e do vice-prefeito. Para o parlamentar, Adriana também teria de se manifestar contrariamente às outras majorações.

Também reclamaram do discurso da ex-vice-líder de governo os vereadores Mauricinho do Sanduíche (PL), Vinicius Faria (PP), Daniel Carvalho (PSD), Denílson da JUC (Mobiliza), Gegê Marreco (Rede), Zé Carlos (Avante) e o próprio líder do Governo, Daniel do Irineu (PSB).

Apesar das críticas, nenhum dos vereadores fez menção ao fato de que ambos os aumentos — tanto o aprovado no mês de maio (9,42%) quanto o de dezembro (44%) — decorreram da apresentação de uma emenda de liderança incluída em um projeto que discutia a recomposição salarial dos servidores da Câmara Municipal.

As duas emendas que viabilizaram o aumento nos proventos dos vereadores foram apresentadas durante a votação em segundo turno, sem que se conhecesse o conteúdo da alteração proposta. A aprovação de ambos os aumentos aconteceu em menos de um minuto.

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