O agenciador de modelos Jean-Luc Brunel, cúmplice de Jeffrey Epstein e denunciado na França pelo estupro de menores de idade, esteve em BH em 2014, mostram arquivos publicados pelo Departamento de Justiça americano.
Três milhões de páginas de documentos foram publicadas na sexta-feira (30), seis semanas depois de o departamento ter perdido prazo definido em lei assinada por Donald Trump determinando que todos os documentos relacionados ao caso Epstein fossem tornados públicos. A lei teve origem em projeto do deputado federal democrata Ro Khanna, da Califórnia.
O termo “Belo Horizonte” aparece 10 vezes nos arquivos.

Em e-mail enviado em 27 de março a Epstein, Brunel contou:
“Eu estava em Belo Horizonte indo a São Paulo para uma reunião de 15 min no aeroporto e em seguida Porto Alegre. Avião foi cancelado, pousou em aeroporto diferente, e quando eu reconfirmei hotel em PA por 2 dias, hotel queria que eu pagasse por 3 [dias]. Cancelei tudo e voltei a NY”.
E concluiu:
“A Copa do Mundo [no Brasil] vai ser caótica”. A Copa começou menos de 80 dias depois, em 12 de junho, com a partida Brasil x Croácia em Itaquera.
Pelos e-mails divulgados, não é possível saber o tempo da estadia de Brunel em BH – por exemplo, se ele esteve apenas no aeroporto de Confins, aguardando a conexão para São Paulo.

Já Jeffrey Epstein não conhecia BH. Em e-mail dois dias antes, com o assunto “Belo Horizonte”, perguntou: “onde é isso?”.
Brunel respondeu: “No meio do Brasil”.
Jean-Luc Brunel foi encontrado morto em sua cela na prisão de La Santé, em Paris, em fevereiro de 2022. Ele tinha 76 anos. Epstein também foi encontrado morto em sua cela em Nova York, em agosto de 2019.

Os arquivos mostram ainda que Ghislaine Maxwell, outra cúmplice de Epstein, teve ações da Cemig.
Em 2022, Ghislaine foi condenada a 20 anos de cadeia por participar de esquema de exploração e abuso sexual de várias meninas menores de idade com Jeffrey Epstein ao longo de uma década. Ela está cumprindo a pena em uma prisão no Texas.
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