O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse nesta quinta-feira (6) que não guarda rancor do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), com quem rompeu politicamente na semana passada. Em entrevista exclusiva a O Fator, Simões explicou que, embora União Brasil e PP tenham acertado apoio a seu projeto de reeleição, não deve fazer atos de campanha em conjunto com Aro, que concorrerá ao Senado pela federação.
“Não guardo rancor. Quem tem inimigo é país. Eu não tenho tempo para ter inimigos, porque tenho muito serviço pela frente”, afirmou.
“De forma alguma você me verá tentando atrapalhar a candidatura do ex-deputado Marcelo Aro pela federação, que é nossa parceira”, completou, ponderando que a participação do filiado ao PP na disputa será “apartada”, sem o apoio formal do PSD.
A costura que levou a federação de volta à chapa do PSD foi tecida ao longo dessa quarta-feira (5). Simões revelou que começou as tratativas com as duas legendas ainda na semana passada. Ele manteve diálogo com as direções de União e PP, com deputados e com outras lideranças, como o ex-parlamentar Bilac Pinto.
“A minha conversa se iniciou no mesmo dia em que recebi a notícia da ruptura por Marcelo Aro. O que fiz questão de ressaltar a cada um dos interlocutores foi que não faria sentido, nem para eu nem para eles, abandonar um projeto do qual faziam parte há oito anos em função da mudança de um posicionamento de um elemento”, sustentou ele, que terá como vice Danilo de Castro, do União.
Três candidaturas ao Senado
A coligação de Simões ao governo terá, além de PSD, União e PP, as participações de Novo, Avante, PRD e Solidariedade. Embora os as agremiações estejam unidos na disputa pelo Executivo, a corrida pelo Senado Federal acontecerá de modo independente.
O expediente de Aro, que concorrerá isoladamente pela federação, será repetido por Carlos Viana, do PSD, e por Marco Antônio Costa, o Superman, indicado pelo Novo. Como efeito prático, Aro terá apenas tempo de rádio e televisão de União e PP, enquanto Viana só disporá dos segundos dados a seu partido. Superman não fará jus a esse mecanismo porque o Novo ficou fora do rateio dos minutos de exposição.
De volta ao ponto inicial
Marcelo Aro se distanciou oficialmente de Mateus Simões na quinta-feira passada (30). Ao comunicar o desembarque, explicou ao antigo aliado que passaria a trabalhar pela própria candidatura ao governo. Naquele momento, Aro tinha a ideia de concorrer ao Palácio Tiradentes com o apoio do Republicanos, que havia emitido nota descartando a entrada do senador Cleitinho Azevedo na corrida.
Dias depois, em meio ao vaivém no Republicanos, a candidatura de Cleitinho voltou a ganhar corpo. Nesse cenário, Aro retomou a hipótese de pleitear o Senado, mas em uma eventual chapa liderada pelo congressista.
No início desta semana, após Cleitinho anunciar a desistência em um vídeo e tentar, sem sucesso, rever o posicionamento da direção nacional por sua retirada, os debates por uma aliança entre Aro e Republicanos foram intensificados.
A articulação acabou naufragando em meio a movimentos como a decisão do PL, que fazia parte do grupo de atores interessados em uma aliança, por chapa própria encabeçada pelo ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.