STJ mantém condenação de Antério Mânica, mandante da Chacina de Unaí, por improbidade administrativa

Caso, sem relação com crime cometido em 2004, envolve a contratação de uma empresa de limpeza urbana
Antério Mânica
Antério Mânica foi condenado a quase 90 anos de prisão. Foto: EBC/Arquivo

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação de Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, no Noroeste de Minas Gerais, por improbidade administrativa. O caso envolve supostas irregularidades na contratação de uma empresa para cuidar da limpeza urbana da cidade e não possui relação com a Chacina de Unaí, que resultou na morte de quatro pessoas e teve Antério, que faleceu no ano passado, como mandante.

A manutenção da condenação por improbidade foi decidida nessa terça-feira (30) pelo ministro Paulo Sérgio Domingues. A defesa de Antério e de Ana Mari Mânica, presidente da comissão de licitação do Executivo unaiense, pedia a revisão da sentença proferida em instância anterior por entender que a nova redação da Lei de Improbidade Administrativa, de 2021, passou a exigir dolo específico, o que provocaria a necessidade de reanálise.

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), autor da ação, a Prefeitura de Unaí rescindiu o contrato com a vencedora da licitação para a prestação dos serviços de limpeza e, sem abrir um procedimento de dispensa de nova concorrência, firmou acordo com a segunda colocada na disputa. 

Além de defender a aplicação da nova Lei de Improbidade, a defesa de Antério e Ana, que também já faleceu, alegou que a convocação da segunda colocada no certame serviu para garantir a continuidade dos serviços e preservar os critérios de eficiência e economicidade.

Domingues, contudo, pontuou que as decisões em primeira e segunda instância — essa, já no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) — demonstraram que o segundo contrato foi fechado mesmo com os preços sendo superiores aos praticados pela vencedora original do pregão.

“A conclusão local é indiscutível no sentido da existência de dano ao erário e a revisão dessa compreensão redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas, incidindo a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, escreveu, em menção à Súmula que pontua que reexames probatórios não podem motivar recursos especiais.

A condenação mantida pela Corte Superior deu a Antério, Ana Mari e Fábio Vagner de Meneses, o pregoeiro, a obrigação de ressarcir o erário em R$ 77,8 mil. A sentença também fala em suspensão dos direitos políticos por três anos e em multa civil. A pena de ressarcimento e a multa foram estendidas à Conserbrás Multi Serviços Ltda, empresa envolvida no caso.

A Chacina de Unaí

A Chacina de Unaí aconteceu em 2004 e culminou nas mortes dos auditores fiscais do Trabalho Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva. O motorista Ailton Pereira de Oliveira, que conduzia o veículo que transportava os servidores, também foi vítima.

Em 2023, Antério Mânica se entregou à Polícia Federal (PF) para cumprir pena de 89 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado. A punição, decretada pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), ampliou condenação anterior da Justiça Federal, que havia determinado 64 anos de reclusão.

Norberto Mânica, irmão de Antério e outro mandante do crime, foi preso no início do ano passado, no Rio Grande do Sul. Em 2024, as autoridades prenderam no Mato Grosso do Sul o empresário cerealista Hugo Alves Pimenta, apontado como um dos responsáveis pela contratação dos executores dos auditores.

Eratóstenes, João Batista e Nelson estavam em uma operação de fiscalização de rotina no entorno de Unaí, quando foram parados pelos pistoleiros contratados pelos mandantes em uma estrada vicinal. Por causa do ataque a tiros, os três fiscais morreram na hora. 

Ailton Pereira, o motorista, também foi alvejado, mas conseguiu dirigir por oito quilômetros até encontrar socorro. Ele morreu durante trajeto para Brasília (DF), onde receberia atendimento médico.

Eratóstenes era o mais novo do grupo, com 42 anos. João Batista tinha 50 anos, enquanto Ailton e Nelson possuíam 51 anos e 52 anos, respectivamente. À época do crime, Nelson conduzia uma apuração que investigava a prática de trabalho escravo em fazendas de Unaí. A principal linha de trabalho dos fiscais girava em torno de possíveis irregularidades cometidas por produtores de feijão. 

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

STJ mantém condenação de Antério Mânica, mandante da Chacina de Unaí, por improbidade administrativa

O nome escolhido pelo PSB mineiro para disputar o governo

‘Não passa de um moleque’: STJ mantém ação por ofensas de coronel contra deputado mineiro na justiça comum

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse