Taxação de bilionários permanece na agenda do G20 na África do Sul

Tema foi um dos principais itens da presidência brasileira do grupo, em 2024
Embaixador Philip Fox-Drummond Gough em coletiva por videoconferência
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough em coletiva por videoconferência: taxação de bilionários na agenda. Foto: Cedê Silva/O Fator

O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, disse nesta quarta (19) que o tema da taxação dos bilionários permanece na agenda do G20 presidido pela África do Sul. O tema foi um dos principais no ano passado, quando o Brasil presidia o grupo.

“A questão de taxação dos super-ricos consta [do projeto] da declaração”, disse o embaixador em coletiva de imprensa, respondendo a uma pergunta de O Fator.

“Há parágrafos sobre isso que estão sendo negociados nessa declaração. Então é um tema presente, inclusive vai haver um evento amanhã, um evento paralelo em que esse assunto vai ser tratado inclusive no âmbito de discussão sobre desigualdades”, acrescentou. “A questão de desigualdades, aliás, é um ponto muito importante da presidência sul-africana”.

Lula vai participar da cúpula, neste fim de semana (22 e 23), em Joanesburgo.

A presidência sul-africana do G20 propõe publicamente quatro prioridades, sendo uma delas a questão dos minerais críticos. A taxação dos bilionários não aparece.

No ano passado, ao presidir o G20, o governo do Brasil propôs um imposto mínimo de 2% sobre a riqueza dos cerca de 3 mil bilionários do mundo. A proposta foi elaborada pelo economista francês Gabriel Zucman, que já havia proposto algo muito semelhante em estudo encomendado pela União Europeia.

A pauta chegou ao documento final do G20 no Rio, embora com linguagem bem mais vaga que a proposta pelo Brasil. “Com total respeito à soberania tributária, nós procuraremos nos envolver cooperativamente para garantir que indivíduos de patrimônio líquido ultra-alto sejam efetivamente tributados”, diz o texto aprovado pelos líderes na reunião no Rio. O parágrafo não tem uma porcentagem ou valores específicos.

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