TRE-MG nega liminar pedida por candidato do PT para proibir uso de avião na campanha de Cleitinho

Ação de candidato petista acusa Cleitinho de abuso de poder econômico, financiamento por pessoa jurídica e uso irregular de avião
Fachada Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), em Belo Horizonte
Desembargador Sálvio Chaves afirma que registros de voos justificam a apuração, mas não bastam para restringir a aeronave antes da defesa dos investigados. Foto: Divulgação/TRE-MG

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) negou o pedido liminar para proibir o uso da aeronave na campanha do candidato ao governo de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). A decisão, do desembargador Sálvio Chaves, foi assinada nesta segunda-feira (21).

O relator destacou que “o indeferimento possui natureza provisória e não representa juízo definitivo acerca da existência ou inexistência dos ilícitos narrados”. Segundo a decisão, a medida “poderá ser reavaliada caso sejam apresentados elementos novos e concretos capazes de demonstrar a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo”.

A ação foi apresentada na última semana pelo candidato a deputado estadual Hilton Filho (PT). Ele acusa Cleitinho, Falcão (Republicanos), candidato a vice na mesma chapa, e Eliesio Carlos Rodrigues, indicado na prestação de contas como cedente do avião, de abuso de poder econômico, financiamento eleitoral por pessoa jurídica e uso irregular da aeronave.

Segundo o autor, o avião Cirrus SR22T, de prefixo PS-ECR, teria transportado candidatos, dirigentes, assessores e material de campanha, sem que isso correspondesse ao que foi declarado na prestação de contas. Ele pediu a suspensão do uso da aeronave durante a campanha, com multa de R$ 100 mil por descumprimento e comunicação à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Também solicitou a exibição do diário de bordo, a preservação de provas e a requisição de informações à Anac, ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), ao Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), a operadoras aeroportuárias, a distribuidoras de combustível e à empresa arrendadora.

Vice-presidente do TRE-MG, Sálvio Chaves afirmou que a existência de registros de voos em agosto e setembro “constitui elemento suficiente para justificar a apuração dos fatos narrados”. Mas, segundo ele, isso “não comprova, contudo, por si só, que os deslocamentos tenham sido realizados em benefício da campanha eleitoral”.

O relator também entendeu que o certificado, que aponta a Alfa Arrendamento Mercantil S.A. como proprietária e Eliesio como operador, mostra apenas a estrutura registral e operacional do avião.

Para o magistrado, a prestação parcial de contas não basta, por ora, para demonstrar subfaturamento, omissão de despesas ou doação ilícita. Ele citou que essa conclusão depende do confronto entre registros de voo e diários de bordo, da identificação dos passageiros e da finalidade de cada viagem.

O relator mencionou ainda julgamento de 2023 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afastou abuso de poder econômico em caso que envolvia um helicóptero, por falta de prova robusta e de gravidade suficiente.

Ele ressaltou que o precedente não antecipa o julgamento de mérito, mas indica que “a mera utilização de aeronave, isoladamente considerada, não autoriza a conclusão de que houve abuso de poder econômico”.

Continuação

O desembargador rejeitou, por ora, o pedido de exibição do diário de bordo e da documentação operacional, com medidas coercitivas. Segundo ele, não há indício concreto de que os documentos possam ser ocultados ou destruídos.

Os ofícios a órgãos públicos e a terceiros, de acordo com a decisão, são atos da fase de instrução e devem ser avaliados após o contraditório. Os investigados foram notificados para apresentar defesa no prazo de cinco dias.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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