União pede novo prazo ao TCU para definir destino do Memorial da Anistia em BH; obra foi anunciada em 2009

Decisão sobre novo prazo de 180 dias cabe ao ministro Augusto Sherman, relator do processo na Corte de Contas
Obras do Memorial da Anistia da UFMG, em foto de 2013
Obras do Memorial da Anistia da UFMG, em foto de 2013. Foto: Andrevruas/Wikimedia

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania protocolou, neste mês, novo pedido ao Tribunal de Contas da União (TCU) para prorrogar por mais 180 dias o prazo de cumprimento de determinações relacionadas à construção do Memorial da Anistia Política do Brasil, em Belo Horizonte.

A obra, orçada em R$ 28,8 milhões, foi anunciada em 2009 sob responsabilidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas não foi concluída. Em dezembro, a Corte já havia concedido prazo de 180 dias para a pasta apresentar uma definição sobre o futuro do prédio.

O ministério alega que precisa de mais seis meses para finalizar a contratação de uma empresa de engenharia que fará a avaliação técnica do que foi efetivamente construído com recursos federais no imóvel localizado na rua Carangola, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital mineira.

O pedido, apresentado em 17 de março, foi analisado pela Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU. A área técnica entendeu que o caso envolve matéria já julgada em acórdão da Corte e encaminhou, na terça-feira (24), os autos ao relator do processo, o ministro Augusto Sherman, para decisão sobre o pleito.

A origem do problema

O caso começou a ser avaliado no tribunal com uma tomada de contas especial aberta contra três ex-reitores da UFMG – Ronaldo Tadêu Pena (2006-2010), Clélio Campolina Diniz (2010-2014) e Jaime Arturo Ramírez (2014-2018) – por falta de comprovação do uso de recursos federais destinados ao memorial.

O processo acabou arquivado sem julgamento de mérito. A Corte, no entanto, manteve determinações ao Ministério dos Direitos Humanos. Entre elas, a definição sobre o destino do prédio, que pode ser concluído, destinado a outro uso ou transferido para a Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

No âmbito da análise do caso pela 1ª Câmara da Corte de Contas, a pasta informou que a ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) pressiona pela retomada da obra e relatou que, em reunião com a UFMG, em setembro do ano passado, houve entendimento para continuar a construção.

Citou ainda que a Caixa Econômica Federal manifestou interesse em apoiar ações ligadas à memória do período da ditadura militar por meio do programa Caixa Cultural. Na mesma manifestação, foi solicitado ao órgão que o prazo fosse de um ano, em função da avaliação técnica para medir o que foi executado até agora.

A 1ª Câmara da Corte de Contas, contudo, fixou o prazo de 180 dias, que, em função do recesso, alongou esse limite para 16 de abril. Agora, se o pedido do ministério for concedido integralmente, a data final passará para outubro de 2026. A decisão cabe ao ministro Augusto Sherman.

Justificativas

A principal justificativa para os sucessivos pedidos de prazo é, de acordo com a pasta, a ausência de servidores com formação técnica em engenharia ou arquitetura em seu quadro permanente. Por isso, afirmou que não tem como inspecionar a obra por conta própria e emitir o parecer técnico exigido pelo TCU.

Assim, foi aberta licitação para contratar uma empresa especializada para executar o serviço. O valor estimado é de R$ 55 mil. A licitação, de acordo com a petição, está em fase final, e a empresa vencedora deverá entregar, em até 150 dias, o laudo técnico sobre o prédio.

A empresa fará inspeção predial completa no edifício administrativo, que corresponde a cerca de 1.450 metros quadrados de área construída, com cinco pavimentos, incluindo um subsolo. O projeto original previa uma área total de 3.621 metros quadrados, mas apenas a parcela já executada em concreto armado será objeto da avaliação.

A vencedora também deverá analisar toda a documentação da obra, como projetos, plantas e memoriais, realizar vistorias presenciais no imóvel, identificar patologias construtivas, como rachaduras, infiltrações e danos estruturais, e comparar o que foi projetado com o que foi efetivamente executado.

A avaliação deve classificar cada parcela executada como aproveitável, aproveitável mediante intervenções ou não aproveitável.

Relembre

O caso começou com um acordo firmado em 2009 entre a Comissão de Anistia e a UFMG. O projeto previa R$ 28,8 milhões para construir o memorial e montar uma exposição permanente no antigo Colégio de Aplicação da universidade, local associado à história da resistência à ditadura militar na capital mineira.

As obras começaram em 2012, sob responsabilidade da universidade, mas foram interrompidas em 2016, após a suspensão dos repasses federais. O Ministério dos Direitos Humanos passou a acompanhar a situação e apontou falhas na execução.

Em 2017, a Polícia Federal (PF) investigou suspeitas de desvio de R$ 4 milhões e indiciou 11 pessoas, entre professores, servidores e estudantes. Dois anos depois, a então ministra Damares Alves anunciou o cancelamento do projeto.

O inquérito foi arquivado em 2020 por falta de provas, mas o MPF mantém uma ação civil pública que pede a conclusão da obra.

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