Quiseram assassiná-lo e depois transformaram um homem idealista em inimigo público apenas por desafiar um regime injusto. Tornou-se símbolo de liberdade e foi tratado como criminoso, julgado sob acusações graves e condenado por um sistema jurídico moldado para silenciar contrários. Não se tratou de um criminoso comum, mas de alguém que defendia, de maneira aberta a liberdade e outros valores que há tempos o seu povo clamava.
Esse homem foi formalmente acusado de sabotagem, conspiração golpista, recrutamento para treinamento militar, trama ilicita com organismos internacionais e participação e liderança em uma organização considerada illegal. Essas acusações, apresentadas com linguagem técnica e fundamentos jurídicos bem articulados, serviram como pretexto para ocultar um objetivo político muito claro: eliminar da arena politica a voz mais influente do movimento de oposição ao governo.
A condenação sustentou-se sobre bases legais que, embora revestidas de formalidade, eram essencialmente instrumentos de opressão. As leis foram moldadas e reiterpretadas para criminalizar a resistência e legitimar o sistema de poder vigente. O processo foi conduzido com todas as aparências de institucionalidade, mas carecia de imparcialidade, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos fundamentais.
Do ponto de vista jurídico, sua condenação expôs o colapso das garantias clássicas do Estado de Direito. A legalidade foi distorcida; o devido processo transformou-se em ritual vazio; a separação dos poderes existiu apenas no papel. A responsabilização penal deixou de ser instrumento de justiça e se converteu em estratégia de manutenção do poder. Não era o direito que guiando o Estado, era a ideologia que guiava o direito.
A comunidade internacional vê com crescente clareza que aquele julgamento não reuniu neutralidade. Tratava-se, na prática, de um processo político travestido de processo penal. O réu foi condenado não pelo que fez, mas pelo que representava: a ameaça direta aos poderosos.
A história prova que nenhuma tese jurídica construída sobre injustiça resiste ao tempo. A prisão desse homem não fortaleceu o regime; ao contrário, deixa-o exposto e acelerou sua própria decadência. Seu cárcere não suprime sua luta, apenas a ampliou. A tentativa de silenciá-lo transformou-o em voz universal da liberdade.
E antes que alguns interpretem este texto de acordo com suas paixões políticas mais imediatas, vale o lembrete: podem guardar essa exaltação, o ódio, o deboche e aquela ironia raivosa. O texto não é sobre quem vocês estão pensando, é sobre Nelson Mandela, ídolo da esquerda, e frequentemente evocado como símbolo de resistência contra uma desmedida e absurda perseguição política que o levou a passar 27 anos preso.
Isso se passou na África do Sul, entre os anos de 1962 e 1990, e, qualquer pensamento que te remeta ao Brasil contemporâneo, é apenas o murmúrio da sua consciência te cobrando coerência e senso de justiça.
Todas estas informações estão disponíveis no livro Long Walk To Freedom, ou Longa Caminhada Até a Liberdade : a autobiografia de Mandela.