Sete mil, quatrocentos e doze quilômetros aéreos de distância separam Paris de Belém. E dez anos separam o Acordo de Paris da COP 30/Belém (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima).
O Acordo de Paris foi um tratado internacional, com a presença de 55 países, cujo objetivo era combater as mudanças climáticas, limitando o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, ou, no máximo, 2°C.
À época, os países signatários, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, comprometeram-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio de suas próprias metas nacionais.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. Grandes tendências surgiram, como uma maior consciência pública, a economia de baixo carbono, o investimento empresarial e a transição energética.
Muitos dos países que se comprometeram com a redução da temperatura falharam nessa meta, e alguns até aumentaram suas emissões — os países asiáticos em 87% e os do Oriente Médio em 70% entre 2016 e 2022, segundo estudo da Carbon Majors.
Em 2020, com a pandemia da COVID, o mundo parou e, assim, as emissões de gases poluentes foram reduzidas. No entanto, isso durou pouco tempo, pois, em 2021, as emissões voltaram a subir.
Em 2023/2024, os relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) confirmaram que o mundo já aqueceu +1,2°C e, se nada for feito, poderemos ultrapassar de +2,4°C a +3,1°C até 2100.
Durante esse período, tivemos ondas de calor na Europa, EUA e China; secas prolongadas no Brasil e na África; enchentes devastadoras no Paquistão (2022), na Líbia (2023) e no Rio Grande do Sul, no Brasil; incêndios na Amazônia, no Pantanal e no Canadá.
Enfim, o planeta realmente esquentou: os últimos anos foram os mais quentes da história da humanidade já registrada. Houve derretimento das geleiras, elevação do nível do mar, acidificação dos oceanos e morte de corais.
Os fenômenos extremos, do frio intenso ao calor excessivo, tornaram-se frequentes, com muitas secas, morte de rios e enchentes, afetando a biodiversidade e as plantações agrícolas.
Por outro lado, houve um aumento na oferta de energia solar e eólica, com as energias renováveis acelerando o processo de transição energética.
A consciência da população aumentou. Percebemos, enfim, que também somos parte do planeta e que essas mudanças climáticas afetam nossa saúde, nossa sanidade e nossa sobrevivência.
Mas um longo caminho ainda precisa ser percorrido. O aquecimento global não é invenção, é realidade, e os efeitos estão aí.
Com este clima desregulado, os desastres ambientais ficaram mais frequentes. Houve o desastre de Mariana, em novembro de 2015, e o de Brumadinho, em 2019. Incêndios de grandes proporções, como no Porto de Santos, na Chapada e no Pantanal.
Infelizmente, nesses dez anos que separam Paris de Belém, não houve grandes progressos nas alterações do clima, apenas retrocessos. Mas ganhamos com maior conscientização da população e avanço na transição energética.
Que venha Belém com mais efetividade!

