Adoro citar ditados populares e músicas de que gosto em minhas colunas. Vai ver por não ser tão culto e instruído. Na falta de literatura e autores, me sobra o popular – ou populacho. Até porque, Aqui é Galo!. Ou seja, do povo, com o povo, para o povo. Eita!
“O fruto não cai longe da árvore”. Mas pode ser também, “Um gambá cheira o outro”. Por quê? Bem, porque Alexandre Kalil, o ex-prefeito de Belo Horizonte, que ao contrário de JK (Juscelino Kubitschek) atrasou a cidade 60 anos em 6, deve se filiar ao PDT de Carlos Lupi. A cerimônia pode ocorrer ainda essa semana, na capital federal.
Para quem não se lembra, ou desconhece, Lupi foi ministro do Trabalho de Dilma Rousseff e, em 2011, caiu após mais de um mês sob denúncias de irregularidades com ONGs. Segundo acusações da época, assessores do então ministro cobravam propina para resolver pendências com o ministério.
Senta, que tem mais
À época, imagens mostraram que, em 2009, ele viajou em um avião fornecido por um dono de uma ONG que mantinha convênios com a pasta. Além disso, Lupi era assessor do PDT na Câmara dos Deputados e teria acumulado dois cargos.
Em 2018, figurava como réu por improbidade administrativa, em processo que tramitava na 6ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Naquele mesmo ano, constava como investigado por supostos peculato, lavagem de dinheiro e caixa 2 eleitoral, sempre de acordo com o noticiário nacional daquele ano.
Mais recentemente, como ministro da Previdência, nomeou um investigado por fraude em um órgão da pasta, o perito Márcio Aurélio Soares. Lupi deixou o ministério este ano, em meio a um escândalo de fraudes em descontos indevidos. A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal estimam que o rombo pode ultrapassar R$ 6 bilhões.
O outro
Alexandre Kalil, por sua vez, tem um histórico empresarial e político igualmente marcado por controvérsias. Antes de entrar na vida pública, foi dirigente do Clube Atlético Mineiro, tendo sua gestão questionada por auditorias internas, conforme amplamente noticiado à época.
Ele foi alvo, ainda, de ações trabalhistas e previdenciárias, o que torna sua filiação ao PDT, de Lupi – ex-ministro do Trabalho e também da Previdência -, no mínimo extravagante. Em 2016, foi eleito prefeito de Belo Horizonte, mas suas contas de campanha foram desaprovadas pela Justiça Eleitoral por uso de recursos cuja origem não foi comprovada.
Em 2022, disputou o governo de Minas Gerais, sendo derrotado de forma acachapante, no primeiro turno, por Romeu Zema. Chama a atenção uma ação de cobrança da ex-deputada federal Manuela D’ávila, referente a serviços prestados naquela ocasião e supostamente não quitados.
Asa negra
Dentre outros enroscos judiciais e acusações, Kalil também foi notícia em uma ação de improbidade administrativa e denúncias de suspeita de favorecimento pessoal envolvendo relações com uma fornecedora da prefeitura e do Atlético, investigadas durante a CPI do Abuso de Poder na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Sem contar a denúncia feita por Rubens Menin, sócio majoritário da SAF atleticana, por uso de dinheiro do Clube para custeio de viagens particulares, de amigos e familiares.
No último ano, Kalil chegou a ensaiar uma aproximação com o Republicanos, partido do deputado estadual Mauro Tramonte, mas a articulação política não avançou. Sua presença em eventos da campanha de Tramonte à Prefeitura de Belo Horizonte acabou gerando ruído interno, principalmente por desentendimentos com a então candidata a vice, Luísa Barreto, do partido Novo.
Tramonte liderava a corrida para a PBH e após a chegada de Kalil sua candidatura afundou, ficando de fora do segundo turno. O ambiente se tornou insustentável e a filiação ao Republicanos acabou cancelada. Agora, no PDT, há especulações de que possa ser novamente candidato ao governo de Minas, em 2026. Uma das possibilidades ventiladas é uma chapa com a deputada federal Duda Salabert. Também não está descartada uma candidatura ao Senado.
Amigos para sempre?
Após deixar o PSD, em 2024, sob alegações da legenda de custeio de funcionários pessoais com o dinheiro do partido, conforme amplamente divulgado pela imprensa, Kalil enfrenta resistências tanto na direita quanto na esquerda.
Brigado com Lula e o PT desde 2022, é improvável que venha a ser o candidato de consenso do campo progressista, ainda que o PDT se torne, de fato, seu destino.
Porém, com tantas, digamos afinidades com Lupi, é capaz de Kalil finalmente encontrar um BFF – Best Friend Forever – na política. Que sejam felizes para sempre, com as bênçãos de Duda Salabert e os velhinhos do INSS.