Liderar, para mim, nunca foi apenas sobre definir metas ou distribuir tarefas. Sempre acreditei que liderar é, antes de tudo, ajudar pessoas a crescerem junto com você. É oferecer espaço para que aprendam, compartilhem experiências, se desenvolvam e encontrem sentido no que fazem. É estar presente de verdade, com escuta ativa e compromisso genuíno com o outro.
Quando assumi uma posição de liderança, especialmente sendo jovem, percebi que havia uma expectativa natural sobre o estilo de gestão que eu adotaria e as transformações que poderia inspirar. A cobrança por resultados existia, claro — mas entendi que era possível entregar muito mais do que números: era possível gerar impacto humano.
Foi com esse espírito que nasceu uma iniciativa de mentoria, pensada para apoiar o desenvolvimento dos colaboradores da organização do qual faço parte. Uma proposta simples, mas até então inédita. Os encontros aconteceram de diferentes formas: rodas de conversa em grupo, conversas individuais — tanto presenciais quanto virtuais — respeitando a realidade descentralizada de uma equipe espalhada por diferentes regiões.
A cada conversa, compartilhei aprendizados que moldaram minha própria trajetória: a importância de assumir responsabilidades mesmo sob pressão; a busca permanente por aprimoramento técnico; a construção de relações baseadas em confiança e lealdade; a clareza no posicionamento ético; e, sobretudo, a necessidade de ter propósito naquilo que se faz.
Mas, se é verdade que compartilhei, é ainda mais verdadeiro que recebi. A troca foi o que mais me transformou. Os relatos, os dilemas, os sonhos e os medos das pessoas me ensinaram sobre empatia, visão ampliada e liderança real — aquela que se constrói no cotidiano, no olho no olho, na escuta silenciosa. Muitos retornos foram emocionantes e mostraram que, por vezes, uma conversa é capaz de gerar recomeços e despertar novas direções de vida.
Esse trabalho, que começou como uma forma de contribuir institucionalmente, tornou-se algo maior: uma forma de retribuir com verdade, humanidade e durabilidade. E talvez, nesse processo, eu mesmo tenha encontrado um novo caminho para minha própria trajetória profissional.
Porque quando se investe nas pessoas, o impacto ultrapassa qualquer planilha. Ele transforma vidas, fortalece a cultura de uma organização e deixa um legado que permanece — mesmo quando os cargos mudam e as metas se renovam. Liderar é isso: uma jornada de crescimento mútuo.