O acordo de livre-comércio a ser assinado entre o Mercosul e a União Europeia deixou de ser um tema restrito à diplomacia para se tornar uma pauta concreta do agronegócio brasileiro. Para Minas Gerais, maior produtor de café do país, trata-se de uma oportunidade histórica de fortalecer sua posição no mercado internacional.
A União Europeia é o maior mercado consumidor de café do mundo e o principal destino do café brasileiro. É também um mercado exigente, que valoriza qualidade, origem, rastreabilidade e sustentabilidade — atributos que caracterizam a cafeicultura mineira, especialmente na produção de café arábica e cafés especiais.
Embora o café verde brasileiro já entre na Europa sem tarifa, o grande avanço do acordo está na redução de barreiras para cafés industrializados, como café torrado, moído e cápsulas. Isso abre espaço para agregar valor na origem, gerar renda, empregos e desenvolvimento regional em Minas Gerais.
A agenda ambiental é outro ponto central. A União Europeia exige cada vez mais comprovação de que os produtos agrícolas sejam oriundos de áreas livres de desmatamento e produzidos de forma sustentável. Minas Gerais, através da SEAPA – Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comandada pelo brilhante Agrônomo Thales Almeida Fernandes, saiu na frente nesse sentido, com iniciativas como o Selo Verde, ferramenta digital gratuita, que monitora a conformidade socioambiental de mais de 1,1 milhão de propriedades rurais e certifica áreas sem desmatamento ilegal e a adoção do Programa de Cafeicultura Regenerativa, baseada na conservação do solo, na proteção dos recursos hídricos e na redução da pegada ambiental, que atendem às exigências europeias e ampliam a competitividade do produto.
Essas práticas não são apenas obrigações regulatórias. No mercado europeu, cafés com origem comprovada e certificação ambiental alcançam melhores preços e relações comerciais mais estáveis. O acordo Mercosul–União Europeia, nesse contexto, funciona como um catalisador da valorização do café mineiro.
Para o produtor de café de Minas Gerais, o recado é claro: quem investir em qualidade, sustentabilidade e agregação de valor encontrará no acordo uma grande oportunidade. Mais do que vender café, trata-se de consolidar Minas Gerais como referência global em café sustentável, competitivo e de alto valor agregado.