Algumas das decisões mais importantes para o futuro do Brasil não acontecem em plenárias nem coletivas de imprensa. Elas ocorrem em ambientes discretos e quase sempre longe do noticiário.
Meu avô, Hélio Garcia, ex-governador de Minas Gerais, costumava dizer que a “política deve ser feita à noite, de chapéu e sobretudo, dentro de um táxi em movimento”. Essa frase traduz bem a ideia de que é nesses bastidores que as engrenagens realmente giram. É ali que soluções concretas são desenhadas, projetos ganham consistência e ideias são colocadas à prova — ou acabam interrompidas pela falta de alinhamento, engajamento ou visão estratégica.
Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de atuar tanto no setor público quanto no privado, acompanhando de perto o constante atrito entre inovação e burocracia, entre a velocidade exigida pelo mercado e o ritmo próprio do Estado.
Nesse caminho, aprendi que, além dos gargalos evidentes, existem também oportunidades que surgem discretamente, muitas vezes escondidas nas entrelinhas. Descobri, sobretudo, que a maior parte das travas pode ser superada por meio de diálogo, inteligência estratégica e ação conjunta.
Esta coluna nasce dessas experiências reais, do desejo genuíno de compartilhar reflexões e aprendizados sobre a prática cotidiana, sobre política e sobre soluções que podem funcionar no Brasil que vivemos hoje, não apenas no que idealizamos.
Acredito profundamente que nenhuma transformação é possível sem engajamento verdadeiro e colaboração entre diferentes setores: servidores públicos, investidores, lideranças políticas, empreendedores, legisladores e gestores. Sozinho, ninguém consegue transformar a realidade.
Meu compromisso aqui será o de propor um diálogo aberto, trazendo exemplos concretos de articulações que deram certo, estratégias eficazes e decisões que geraram impacto real. Pretendo também revisitar histórias e aprendizados governamentais, políticos e institucionais, valorizando o que já foi realizado e destacando o que ainda podemos melhorar.
Transformar exige menos slogans e mais pontes. Entre o discurso e a entrega, existe um Brasil inteiro aguardando para ser compreendido, respeitado e verdadeiramente potencializado.