Opinião, Kertzman: Madonna no Rio: quando nos tornamos tão estúpidos?

Um show histórico manchado por episódios constrangedores de polarização política
Madonna faz show apoteótico nas areias de Copacabana
Madonna faz show apoteótico nas areias de Copacabana (Foto: Fábio Motta/PRJ)

A maldita polarização ideológica, que superou as fronteiras políticas, muito bem classificada como “calcificação” por Felipe Nunes e Thomas Traumann no livro “Biografia do Abismo”, chegou à música pop e, agora, um show de um astro internacional tornou-se palco para idiotices que causam profunda vergonha alheia.

Madonna é um ícone atemporal. Ídolo da geração dos anos 1980 e 1990, certamente entrará para o rol dos imortais como Freddy Mercury,  Elvis Presley e tantos outros, e daqui a 50 anos continuará sendo tocada e ouvida por todo o planeta. É daquelas personagens históricas que só quem viu – e ouviu – entende.

A HORA DOS RUMINANTES

O show deste sábado (4) em Copacabana, no Rio de Janeiro, foi apoteótico e já é histórico. Como apoteóticos e históricos foram os shows de Frank Sinatra no Maracanã (1980), do Queen no Morumbi (1981), o primeiro Rock in Rio (1985), os Três Tenores, também no Morumbi (2012), e tantos outros.

A diferença é que, à época, a idiotice humana, amplificada pelas redes sociais, principalmente o zap da tia, não existia. E se existia, limitava-se à macarronada de domingo, na casa da sogra, ou às madrugadas etílicas no boteco da esquina. Hoje, conservadores de araque e progressistas bocós emporcalham tudo.

INÚTEIS DA INTERNET

Liberais de WhatsApp insurgem-se contra o patrocínio de R$ 10 milhões da prefeitura do Rio, desconsiderando o impacto econômico de 400 milhões de reais (atenção: impacto significa… impacto! Não se trata apenas de impostos e turismo, mas de mídia espontânea, economia circular e outros conceitos ignorados pelos burros de plantão).

Progressistas incapazes de compreender qualquer coisa após o século XX, arvoram-se coadjuvantes de uma “diva” como se ela, Madonna, desse a mínima para as pautas identitárias dessa cambada. A pop star não representa a luta feminista, os direitos LGBT ou o diabo que os carregue. Ela representa, brilhantemente, a si mesma.

BOLSO NIKOLAS

Reacionários brutos, sedizentes conservadores (pela ótica de Olavo de Carvalho), em nome dos “cidadãos de bem” atacam a pluralidade, a inclusão, a verdadeira liberdade individual que pregam – sem terem a menor ideia do que se trata -, simplesmente porque não toleram o ser humano, imperfeito, em grupo, despido de pudores e falsidades.

Pentecostais e “cristãos” de domingo rogam a Deus que perdoe os hereges e pecadores: homens beijando homens; mulheres beijando mulheres; trisais beijando trisais; Madonna e Anitta simulando – oh, que horror! – sexo oral no palco. Gente hipócrita, idólatra de corruptos e adolescentes metidos a pensadores.

ENCERRO

Eu saúdo Madonna e a música, ainda que as porcarias de Funk e Sertanejo Universitário (ouve quem quer). Eu saúdo os artistas e as artes, ainda que pelados, cheirando os fiofós uns dos outros (assiste quem quer). Eu saúdo a humanidade e o indivíduo, desde que em acordo com as leis e as regras civilizatórias (convivo com quem quero).

Aos patrulheiros do momento, um recado: “caguem” suas regras em suas bolhas inúteis e transformem a sociedade em que vivem em um local cada vez pior, pois é exatamente o que vocês, com suas pautas das cavernas, seus conceitos de Tik Tok e sua cultura geral mais rasa que um pires, estão conseguindo fazer. 

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