Petrobras, Prates e o curioso caso das eólicas offshore

Prates defendia um projeto multibilionário de construção de usinas eólicas em alto mar
Lula demite Prates e detona crise na Petrobras
Lula e Prates: o coraçãozinho quebrou (Foto: Ag. Brasil/ Ricardo Stuckert)

Quem me acompanha já se acostumou com minhas citações e referências a filmes e músicas famosos. Fazer o que se minha vã filosofia e cultura limitada não alcançam os grandes autores e não posso usá-los como exemplos?

O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme de 2009, que conta a história de um homem que nasce de trás para frente, ou seja, ganha este mundo idoso e o deixa recém-nascido. É muito legal e vale a pena assistir.

O que o filme tem a ver com este texto? Nada. Mas é que o título desta coluna me lembrou o do filme e eu, amante de uma longa digressão, não resisti e cá estou, hehe. Mas bora lá, tratar do que realmente importa.

BYE BYE PRATES

O presidente Lula demitiu, nesta quarta-feira (15), Jean Paul Prates do cargo de presidente da Petrobras. Até aí, nenhuma novidade, seja pelo ocorrido – já esperado – ou pelo não ineditismo (é o quinto defenestrado em 3 anos).

Versões para o chute no traseiro não faltam: distribuição de dividendos, preço da gasolina, queda no lucro, investimento (ou a falta de), bem como carrascos da guilhotina sobram: Rui Costa, Alexandre Silveira e o próprio Lula.

Neste sentido, algumas histórias que circularam nos bastidores da companhia merecem ser contadas e, prometo, serei o mais sucinto possível. A primeira fala em investimentos bilionários (em dólares) em gasodutos e navios. Vamos lá:

CANDINHAS À SOLTA

Segundo os fofoqueiros de plantão, Alexandre Silveira, especialmente, não abre mão de investimentos vultuosos, pouco importando, sempre segundo os fofoqueiros, os resultados futuros (para a companhia, é claro).

Bom de contas – quando interessa -, o ex-presidente se recusava a adotar o mesmo modelo de Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento, que levou a estatal ao maior endividamento privado do mundo e quase, “muito quase” à bancarrota.

Se hoje o frete marítimo é caro, construir navios jamais será a solução, principalmente em um país que detém as primeiras – não raro a primeira – colocações em juros reais do planeta. Vale dizer: pagar será sempre melhor que administrar.

SENTA, QUE TEM MAIS

O que “não fecha” nessa conta é o que vem a seguir: outros fofoqueiros andam dizendo que o ex-presidente e o ex-diretor financeiro demitidos pelo ex-condenado, ops!, presidente da República, talvez – só talvez – não fossem tão bons de conta assim.

Prates defendia um projeto multibilionário de construção de usinas eólicas em alto mar (offshore). Um dos maiores especialistas em energia do País, Walter Fróes, fundador da CMU Energia, procurado por este fofoqueiro, digo colunista, pontuou:

“Usinas offshore só fazem sentido em locais pequenos, em países com pouca extensão territorial. O Brasil, obviamente, não padece deste problema. Somos um dos maiores países do mundo em extensão do território”. E prosseguiu:

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE

“Além disso, o CAPEX (investimento) em usinas em alto mar chega a ser três, quatro vezes maior que em terra (onshore). Ou seja, além da falta de critério, estamos falando de uma conta de quase 50 bilhões de reais”.

O leitor mais atento deve estar se perguntando: “onde diabos isso é curioso? No máximo, é irritante. Mas nada que não vejamos, todos os dias, nas prefeituras, governos de estados e União, Brasil afora”. Só que…

Ao que parece, a Petrobras pretendia tocar este projeto com uma empresa europeia, que comprou uma empresa brasileira deste segmento há alguns anos. Como está tarde e estou com sono, vou tentar resumir.

QUASE LÁ

Os pessoal dizem por aí, que essa empresa (adquirida) pertencia a ex-executivos da “Petobrais, companheiro”. Ou seja, os maledicentes poderiam dizer – caso tudo não seja mera fofoca – que os demitidos foram, digamos, desatentos.

O presidente Lula, sabemos todos, detesta ineficiência e pouco zelo com o dinheiro público, por isso teria ficado bravo e mandado substituir o ex-presidente por uma “prisidenta”, que já declarou ser contrária ao “projeto offshore”.

Uma coisa é certa, no Brasil, além da morte e dos impostos, seja qual for o presidente, seu partido, sua ideologia, seu time, sua religião, ele irá nomear e demitir dois ou três chefões da Petrobras durante o mandato. Os motivos? Quem se importa?

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