Joaquim José da Silva Xavier foi muito além do herói nacional que aprendemos na escola. Para nós, cirurgiões-dentistas, ele é também uma referência histórica da nossa profissão — um dos primeiros a praticar, com habilidade e engenhosidade, a odontologia em pleno Brasil colonial.
O apelido Tiradentes não veio à toa. No século XVIII, décadas antes de a profissão ser regulamentada (em 1884), ele já realizava extrações, restaurações, fabricava próteses com materiais como marfim e osso e indicava tratamentos para dor de dente.
Mesmo sem formação formal — já que a odontologia ainda nem era reconhecida como profissão — ele demonstrava grande conhecimento prático e sensibilidade no cuidado com as pessoas. Mas o legado de Tiradentes não se limita à atuação na saúde.
Lutou e morreu por um sonho
Ele foi um homem à frente do seu tempo, que defendia um Brasil mais justo e independente, com propostas como a criação de uma república com participação popular, o estímulo à industrialização nacional e o fim dos monopólios da Coroa.
Sonhava com um país soberano, livre e mais humano. Mais do que atender, ele acolhia. Há relatos de que cuidava dos mais pobres sem cobrar, deixando clara sua compreensão do papel social do cuidado em saúde — algo que ainda hoje deve ser uma das bases do nosso trabalho.
Hoje, o Conselho Federal de Odontologia e os conselhos regionais reconhecem Tiradentes como patrono da odontologia brasileira. E com razão. Seu legado inspira quem acredita em uma odontologia ética, acessível e comprometida com a população.
Que nesta semana do dia 21 de abril a gente não só lembre a sua trajetória, mas reafirme o compromisso com os valores que ele carregava: coragem, dedicação e compromisso com o povo.