Zema sai maior do que entrou e deixa Minas melhor do que encontrou

Encerrar etapas dói. Zema pode ser acusado de tudo, menos de não ter se dedicado ao máximo
Simões e Zema
Mateus Simões (PSD) é o nome do governador Romeu Zema (Novo) para as eleições ao comando do estado em 2026. Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

Quem me acompanha – e não é de hoje – sabe que os bons olhos que tenho pela administração de Romeu Zema (sobretudo a primeira) são inversamente proporcionais ao que penso sobre algumas de suas bizarrices públicas e manifestações políticas.

Chico Bento encontrou um estado literalmente destruído pela hecatombe petista de Dilma Rousseff e Fernando Pimentel. Além de dívidas com fornecedores, servidores e municípios, era uma máquina aparelhada, perdulária, ineficiente e corrupta, ao melhor estilo PT.

Com gestão austera – ainda que “pero no mucho” -, retidão pessoal e um time técnico (mesmo que, aqui e ali, um punhado de aliados meia-bocas), Zema resgatou o respeito pelo estado, projetou Minas internacionalmente e atraiu dezenas de investimentos robustos.

Cravo e ferradura

Se era um não-político ao entrar, deixa o governo como um político clássico. Aprendeu, aos trancos e barrancos, a negociar e a tapar os olhos e os ouvidos quando convém, e desenvolveu o pragmatismo e o cinismo necessários para se manter no jogo.

A mim não parece o melhor caminho. Particularmente, penso que há limite para tudo, inclusive para escolher aliados – mesmo que de ocasião – e flexibilizar valores. Sou daqueles que prezam o CPF e o reflexo no espelho, e que não abrem mão do sono dos justos.

Ao escolher a política a (quase) qualquer preço, Zema caminha em sentido oposto ao que acredito sobre valores éticos e morais. Mas a vida dele é dele, e a minha, minha. Que seja feliz em sua nova jornada e que tenha sucesso em seus sonhos legítimos.

Boa sorte

Como mineiro, colunista e comentarista, dou nota 7/10 ao governador que deixa o cargo amanhã e o transmite ao seu vice, Mateus Simões. E, se o felicitarei caso decida compor nacionalmente com Ratinho Júnior, lamentarei se cerrar fileiras com Flávio Bolsonaro.

Caso insista em uma candidatura própria, espero que busque o equilíbrio e a composição, e que abandone a imagem de radical beligerante que lhe convenceram a adotar. Uma coisa é a defesa firme das próprias crenças e valores. Outra é a grosseria pura e simples.

Assistindo a um vídeo seu ontem, deixando o gabinete do Tiradentes, fiquei emocionado. Encerrar etapas dói. Zema pode ser acusado de tudo, menos de não ter se dedicado ao máximo. A sensação de dever cumprido ajuda muito nessas horas. Deve ter dormido bem.

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