Hugo Motta assume com Chiquinho Brazão na gaveta

Em acordão antecipado por ‘O Fator’, Arthur Lira nunca pautou cassação em plenário do réu no caso Marielle
Hugo Motta tomando posse da Presidência da Câmara
Hugo Motta tomando posse no sábado (1º): gaveta cheia. Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

A gaveta de Hugo Motta (Republicanos-PB), que venceu no sábado (1º) a eleição para presidente da Câmara, acumula várias pendências deixadas por Arthur Lira.

Entre elas está a cassação do ainda deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), preso há quase um ano por obstrução das investigações no caso Marielle, e réu desde junho por ser mandante do crime.

O Fator antecipou ainda em agosto o acordão para manter Chiquinho no cargo.

Deputados bolsonaristas votaram “sim” pela cassação dele no Conselho de Ética, apesar do enorme esforço para defendê-lo em março, quando ele foi preso.

A mudança de comportamento faria sentido se Lira garantisse matar a cassação no peito – deixando a votação fora do Plenário, único lugar onde Brazão poderia de fato ser demitido.

Foi exatamente o que aconteceu.

Em 23 de setembro a CCJ rejeitou por 57 x 2 recurso de Chiquinho Brazão, abrindo caminho para Lira pautar a cassação no Plenário.

Ele nunca fez isso, e Brazão passou o réveillon como deputado.

Frederico "Cedê" Silva é repórter em Brasília. Tem passagens por O Antagonista, VEJA BH, Estadão e Estado de Minas. Foi produtor do 'CQC' na Band e do programa 'Manhattan Connection' no MyNews.

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