Prefeitura de BH exonera mais indicados de ex-secretário alvo de operação da PF

Secretaria de Educação passa por reformulação após a saída de Bruno Barral, indicado pelo União Brasil
Bruno Barral pediu exoneração após operação da PF. Foto: PBH/Divulgação

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) exonerou mais dois servidores indicados por Bruno Barral, exonerado do comando da Secretaria de Educação após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes em licitações na Bahia. Deixaram os cargos no poder Executivo da capital mineira Rafael Nascimento Sá, ex-chefe da diretoria Estratégica de Pessoas da pasta de Educação, e Hilaise Santos do Carmo, responsável por uma função comissionada na secretaria.

As exonerações de Rafael e Hilaise foram oficializadas na edição de sábado (12) do Diário Oficial do Município (DOM). No início do mês, a Prefeitura de BH já havia publicado a demissão de Gabriel Saulo Rios Matos Sobrinho, subsecretário de Gestão Pedagógica.

O trio exonerado da Secretaria de Educação de BH não tem relação com as possíveis fraudes licitatórias apuradas pela PF. 

Gabriel, Rafael e Hilaise foram trazidos por Barral de Salvador (BA), onde ele já havia atuado como secretário de Educação. A capital baiana, aliás, teria, segundo a PF, sido palco das irregularidades em concorrências públicas.

A investigação

Como já mostrou O Fator, a investigação da Polícia Federal acusa Bruno Barral de ter atuado para direcionar licitações na capital baiana. Segundo os agentes responsáveis pelo caso, o esquema beneficiou a Larclean Saúde Ambiental, firma que tem o empresário José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, como um dos sócios

A conclusão da PF sobre a participação de Barral nas possíveis fraudes é fruto da análise de mensagens de texto trocadas entre o ex-secretário de BH e Flávio Henrique Lacerda Pimenta, subordinado dele na Prefeitura de Salvador.

Pimenta foi diretor Administrativo da Secretaria de Educação da cidade soteropolitana durante a “era Barral”. Segundo relatório da PF, os diálogos interceptados pelos agentes evidenciam que Barral teria “pleno conhecimento dos ilícitos e atuou em favor do grupo criminoso” responsável pelas ilicitudes nas licitações.

De acordo com a investigação, Flávio Pimenta desempenhava papel ativo no processo de direcionamento de certames à Larclean. Quando a apuração avançou fases, constatou-se que Bruno Barral, nas palavras do relatório, “aderiu ao pacto criminoso e passou a integrar pessoalmente a organização”.

Em uma das conversas anexadas ao inquérito, Barral questiona se Pimenta acertou detalhes com a Larclean. Ao responder o então secretário, o diretor administrativo da pasta de Educação soteropolitana diz estar elaborando um Termo de Referência (TR) e que iria abrir um processo licitatório com o objetivo de garantir que a empresa do “Rei do Lixo” vencesse a disputa pela contratação.

Em meio às investigações da PF, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou a determinar o afastamento de Barral do cargo público em BH. A decisão foi acatada e, horas depois, a exoneração dele foi publicada.

Definição próxima

Nos últimos dias, a secretaria de Educação vem sendo comandada interinamente pelo adjunto do setor, Marcus Valério Figueiredo Clemente.

No fim de semana, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) disse que o nome do novo secretário será anunciado nesta semana. O União Brasil, um dos fiadores da indicação de Barral, pleiteia a possibilidade de apontar o substituto.

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