Adesão de Minas ao Propag passa em 2° turno na Assembleia Legislativa

Texto, que encabeça pacote de propostas para refinanciamento da dívida mineira, segue agora para sanção de Zema
Romeu Zema e Tadeu Leite
Projeto de Zema para adesão ao Propag foi aprovado em 2° turno. Foto: Alexandre Netto/ALMG

Os deputados estaduais de Minas Gerais aprovaram, nesta quinta-feira (29), em 2° turno, o projeto que autoriza a saída do estado do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e a entrada no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A proposta, agora, seguirá para sanção do governador Romeu Zema (Novo).

O projeto aprovado é o texto-base do Propag. Outras fatias do arcabouço, como as que tratam da federalização de ativos como a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), ainda não chegaram ao plenário. O repasse de bens de Minas à União é um dos caminhos possíveis para amortizar a dívida junto ao Palácio do Planalto, que supera os R$ 162 bilhões.

O aval ao texto-base do Propag acontece em meio a debates de deputados sobre a possibilidade de repassar imóveis do governo do estado à União. Na terça-feira (27), uma lista, antecipada por O Fator, detalhou as 343 edificações que podem ser envolvidas na negociação. A relação tem, por exemplo, a Cidade Administrativa, o Hospital Risoleta Neves e a escola Estadual Central, todos em Belo Horizonte. 

A proposição a respeito da destinação de imóveis à União, aliás, poderá sera analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda nesta quinta-feira.

Nessa quarta-feira (28), o texto-base do novo plano de refinanciamento das dívidas estaduais já havia sido aprovado pela Assembleia em 1° turno. No início da semana, o autor do Propag, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fez um discurso no Congresso Nacional solicitando, ao Executivo mineiro e aos parlamentares estaduais, celeridade na aprovação da entrada de Minas no pacote.

Novo teto de gastos na mira

A versão original da proposta que trata da saída de Minas Gerais do RRF e do consequente ingresso no Propag tinha artigo que tratava da instituição de um teto de gastos públicos. Durante a tramitação do projeto, entretanto, o trecho que abordava a trava orçamentária foi retirado e passou a ser analisado separadamente, por meio de um projeto de lei complementar (PLC)

O teto limita o crescimento das despesas primárias à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas conta com gatilhos que podem aumentar o estoque de despesas.

Se houver aumento nas receitas primárias, por exemplo, os governos estaduais poderão utilizar 50% do valor referente ao crescimento da arrecadação para incrementar as despesas.

Em caso de superávit arrecadatório, o gatilho aumenta. Assim, 70% da variação real positiva das receitas poderá ser incorporada ao rol de gastos.

A trava orçamentária do Propag é considerada mais vantajosa que a do RRF, uma vez que, no outro modelo, o crescimento das despesas é limitado apenas à inflação de oficial, sem a possibilidade do acionamento de metas para ampliar o rol de gastos.

Mais 14 projetos

O pacote Propag tem, além do texto-base, outros 14 projetos. Nenhum dos outros textos está pronto para o plenário. As já citadas propostas a respeito da federalização da Codemig são as que, neste momento, encontram mais consenso na Assembleia.

Outras matérias, como as que autorizam a federalização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a dação da Empresa Mineira de Comunicação (EMC), ainda estão em fase menos avançada de debate.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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