Pacote Propag de Zema ganha projeto para tratar exclusivamente de novo teto de gastos

Novo texto se debruçará sobre limites orçamentários que o estado terá que seguir por causa de refinanciamento da dívida
O governador Romeu Zema
Pacote Propag do governador Romeu Zema está em análise na Assembleia. Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) decidiu, nesta segunda-feira (26), pelo fatiamento do projeto de lei que autoriza o  estado a deixar o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e migrar para o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A medida foi tomada para fazer com que o teto de gastos a ser implantado pelo poder público a reboque da entrada no Propag tramite de forma individual no Parlamento, e não mais como um artigo do texto-base.

A proposição autorizando a saída no RRF e a entrada no novo plano de refinanciamento foi aprovada pela CCJ, na forma de um substitutivo, mas a matéria que vai versar exclusivamente sobre o teto de gastos ainda terá de ser lida no plenário da Assembleia para começar a tramitar.

Como O Fator já mostrou, o teto de gastos do Propag terá de entrar em vigor em até 12 meses após o ingresso de Minas no programa. A trava orçamentária limita o crescimento das despesas primárias à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas conta com gatilhos que podem aumentar o estoque de despesas.

Se houver aumento nas receitas primárias, por exemplo, os governos estaduais poderão utilizar 50% do valor referente ao crescimento da arrecadação para incrementar as despesas.

Em caso de superávit arrecadatório, o gatilho aumenta. Assim, 70% da variação real positiva das receitas poderá ser incorporada ao rol de gastos.

O teto de gastos do RRF, seguido por Minas desde o ano passado, também atrela a ampliação dos gastos à flutuação do IPCA, mas não conta com gatilhos permitindo o aumento das despesas conforme o crescimento das receitas. A possibilidade de acionamento desses gatilhos faz com que o teto do Propag seja tido como mais flexível.

A trava no orçamento imposta pelo Propag, que tramitará no Legislativo como um Projeto de Lei Complementar (PLC), terá de ser cumprida de modo individualizado pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A regra também valerá de forma individualizada para o Ministério Público (MPMG), o Tribunal de Contas (TCE-MG) e a Defensoria Pública (DP-MG).

Regra de transição

Na semana passada, a reportagem mostrou que a equipe econômica do governador Romeu Zema (Novo) prepara uma regra de transição para o ano que vem em caso de ingresso no Propag até lá. Se houver sucesso na migração do RRF para o novo programa, o teto de gastos de 2026 será baseado em uma regra que limita a variação das despesas dos três Poderes a 1,7 vezes o IPCA do próximo exercício. A proposta consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

A inflação prevista para 2026 a ser levada em conta no teto de gastos será retirada da edição de 30 de junho do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central a fim de compilar expectativas do mercado financeiro sobre o comportamento econômico nacional.

O último Boletim Focus, publicado em 16 de maio deste ano, indica IPCA de 4,5% para 2026. Se o índice perdurar até o final do próximo mês, o limite de crescimento orçamentário do ano que vem seria de até 7,65% para cada um dos Poderes de Minas. 

O teto de transição não levará em conta eventuais créditos suplementares abertos ao longo de 2025.

Filme repetido

O fatiamento de um projeto para permitir a tramitação em separado de um teto de gastos também foi expediente adotado pela CCJ da Assembleia em 2023, à época da tramitação das propostas sobre a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal.

Àquela ocasião, os limites no orçamento também constavam no texto-base a respeito do RRF. O fatiamento foi decidido pelo então presidente do colegiado, Arnaldo Silva (União Brasil). A adesão ao RRF e o teto de gastos não chegaram a ser aprovados pelo Legislativo, e o ingresso de Minas no pacote se deu por meio de acordo junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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