O incômodo do governo Zema com uma área técnica do Ministério da Fazenda

Estado vê demora em trâmites necessários para a adesão ao Propag; entendimento é que também há prejuízo ao BNDES
A sede do Ministério da Fazenda, em Brasília
Ministério da Fazenda representa a União nas tratativas do Propag. Foto: Washington Costa/MF

Integrantes do governo de Romeu Zema (Novo) têm manifestado, nos bastidores, incômodo com a postura da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), vinculada ao Ministério da Fazenda, nas negociações relativas ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A queixa diz respeito ao fato de a STN ainda não ter emitido sinalizações ao Executivo estadual e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quanto aos ativos mineiros, como empresas estatais, que podem ser repassados à União para abater a dívida pública.

Sem indicações formais da STN, o BNDES não pode iniciar o processo de avaliação oficial das empresas. Os laudos emitidos pelo banco é que vão definir o tamanho da amortização conseguida por Minas a partir de cada uma das operações de federalização.

Segundo O Fator apurou, o BNDES já comunicou ao governo estadual que tem pronto o modelo do pedido de informações que dá o pontapé inicial para a avaliação de estatais como a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), responsável pela exploração das jazidas de nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba. A federalização da Codemig e de sua controladora, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), já recebeu sinal verde da Assembleia Legislativa.

No mês passado, o banco chegou a sugerir que as ofertas de federalização sejam acompanhadas por laudos de avaliação encomendados pelos próprios estados. A instituição financeira, contudo, avisou ao governo estadual que o aceite à ideia é prerrogativa da União. 

Prazos à vista

O decreto que regulamentou o Propag estabelece 31 de dezembro como data-limite para a adesão das unidades federativas ao modelo de refinanciamento das dívidas públicas. As ofertas de federalização, por seu turno, precisam ser encaminhadas à União até 30 de outubro.

O estado já remeteu ao governo federal ofício consultando o interesse do Palácio do Planalto em receber, além de Codemig e Codemge, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Empresa Mineira de Comunicação (EMC) e a Minas Gerais Participações S/A (MGI). Dessas, a MGI é a única que não precisa ter a federalização aprovada pelos deputados estaduais.

Em junho, pouco antes do surgimento da proposta pelo encaminhamento das ofertas de estatais com laudos próprios dos estados, o BNDES comunicou ao vice-governador Mateus Simões (Novo) que processos de avaliação de empresas, considerando o expediente adotado no Programa Nacional de Desestatização (PND), costumam demorar até um ano. 

Assim, de acordo com Simões, os laudos a respeito das companhias poderiam estar prontos apenas em meados de 2026.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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