A pesquisa Itatiaia/Ver – instituto do cientista político, pesquisador, professor e, o predicado mais importante, atleticano Malco Camargos – reforçou o que outros institutos vêm encontrando em seus estudos: a maioria absoluta da população brasileira não quer nem Lula nem Bolsonaro na Presidência da República.
Fossem (ambos) dotados do legítimo espírito público e imbuídos do bom propósito coletivo, abandonariam o ringue político, distensionariam o ambiente e permitiriam novas lideranças – descoladas de suas personalidades bélicas e desgastadas – disputarem, independentes, as eleições do ano que vem.
Bolsonaro já está inelegível e provavelmente estará preso em 2026. Resta saber se imporá um nome de sua cota pessoal – a esposa ou um filho – como candidato opositor ao PT ou se aceitará e apoiará a indicação de outro que represente a direita brasileira – jamais confundir com bolsonarismo, por favor.
Erros em série
Acreditar na capacidade do eleitor decidir, por si só, a defenestração de tão deletérias figuras da política nacional, é o mesmo que esperar bom senso de Donald Trump em sua guerra particular contra o mundo. O brasileiro já trocou Serra por Lula e Meirelles por Bolsonaro – e elegeu Dilma Rousseff duas vezes.
Por isso, a pressão sobre Lula, especialmente, terá de vir justamente das pesquisas de opinião, tão demonizadas pelos terraplanistas do bolsonarismo. Não são poucos, no entorno do chefão petista, que garantem que ele só irá disputar se tiver chances reais de reeleição. E a maior chance é… contra um bolsonarista!
Nesse sentido, quanto antes a oposição se agrupar e decidir por um nome, melhor. Quero dizer: um nome que não reforce a candidatura da “alma mais honesta desse país”, segundo ela mesma. E tal escolha passará também por outros dois achados da mesma pesquisa: Belo Horizonte e Minas Gerais
Minas e os mineiros
Na capital mineira, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) – uma grata surpresa neste início de mandato – conta com expressiva e merecida popularidade: 56% dos entrevistados aprovam sua gestão. Belo Horizonte é o maior colégio eleitoral do segundo maior colégio eleitoral do país, que é Minas Gerais.
Dos favoritos ao Tiradentes, apenas Alexandre Kalil (sem partido) é considerado um candidato “de esquerda”, ainda que rejeitado pelo petismo, de onde foi enxotado, em 2022, antes do início do segundo turno. Pacheco (PSD) é “de centro”. Cleitinho (Republicanos), Nikolas (PL) e Mateus (Novo), “de direita”.
Considerando a posição vantajosa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo – o maior colégio eleitoral do Brasil -, uma aliança com o prefeito de BH, que “de esquerda” não tem nada, dividindo palanque com um forte candidato “de direita” ao governo de Minas, restará não apenas em forte desestímulo a Lula como, talvez, na própria desistência do pai do Ronaldinho dos Negócios.