Não adianta. Quem quiser saber se o senador mineiro Cleitinho Azevedo (Republicanos) será candidato nas eleições ao governo de Minas Gerais vai ter que esperar. Além da incerteza sobre como o cenário nacional vai se desenhar após a possível condenação de Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar avalia que ainda é cedo para cravar a decisão.
No caso dele, há uma vantagem. Enquanto outros nomes precisam superar rejeição ou conquistar maior projeção no estado, Cleitinho já aparece na frente em algumas pesquisas de intenção de voto. Essa condição permite a ele adiar o anúncio sem o risco de perder espaço, ao contrário de adversários que precisam iniciar a campanha mais cedo para reduzir desvantagens.
A indefinição de Cleitinho, no entanto, pressiona outros movimentos da direita em Minas. Entre eles, o do vice-governador Mateus Simões (Novo), que tem defendido abertamente uma união em torno de sua candidatura para consolidar a base conservadora no estado. Embora não negue nenhuma conversa, o senador afirma que a decisão só será tomada no próximo ano.
Outro ator que pode ser impactado por essa cautela de Cleitinho é o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele pretende definir até outubro se será candidato, mas acompanha de perto o tabuleiro político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o principal interessado nessa candidatura.
Pacheco também está em compasso de espera: apesar da insistência de aliados para que anuncie logo seu futuro, observa de perto a possibilidade de uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode ser aberta com uma eventual aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.
Presidência
Ao mesmo tempo em que adia a definição em Minas, Cleitinho também passou a ser citado em rodas da direita como possível nome para a sucessão presidencial em 2026. Em conversa com O Fator, ele já afirmou estar “à disposição” caso seja chamado, embora não tenha recebido convite oficial de partidos.
Seu nome vem sendo testado em pesquisas encomendadas por siglas como o Republicanos e o PRTB. Nos bastidores, a avaliação é de que o senador pode ser uma opção do Jair Bolsonaro. Ele tem como trunfo a lealdade ao ex-presidente e sua força nas redes sociais, mas também desperta dúvidas pelo temperamento considerado imprevisível.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), também chegou a sondá-lo recentemente sobre a possibilidade de abrir mão da disputa estadual para, eventualmente, compor como vice em sua chapa presidencial. O senador não respondeu.