Propag: empresas interessadas em avaliar estatais de Minas têm até esta segunda (25) para tirar dúvidas

Após prorrogação de prazo para apresentação de ofertas, BNDES também estendeu janela para elucidação de pontos do edital
Agência da Copasa em BH
Copasa foi oferecida à União, mas federalização é vista como improvável. Foto: Copasa/Divulgação

As empresas interessadas em participar da concorrência que vai definir as responsáveis por avaliar as estatais de Minas Gerais oferecidas pelo governo do estado à União têm até esta segunda-feira (25) para tirar dúvidas sobre o processo de disputa. Como O Fator já mostrou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estendeu, até a quarta-feira (27), o prazo de apresentação de propostas para a execução dos serviços

As avaliações vão ocorrer na esteira do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O repasse de estatais é uma das possibilidades de amortização de parte dos débitos estaduais junto ao governo federal.

No caso mineiro, o BNDES instalou concorrências para obter laudos de avaliação da Companhia de Saneamento (Copasa), da Companhia Energética (Cemig), da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig) e da Minas Gerais Participações S/A (MGI). O banco é, segundo as regras do Propag, o ente federal responsável por supervisionar o processo de exame das empresas.

Embora o BNDES tenha aberto o processo para prospectar as empresas interessadas em confeccionar as avaliações, a consulta é não vinculante. Assim, os acordos só serão assinados após o governo federal indicar ao banco as estatais que possui interesse em incorporar. A ideia é evitar a contratação de laudos para empresas pouco atrativas para a União.

Minas terminou o primeiro quadrimestre deste ano com um passivo de aproximadamente R$ 161 bilhões junto à União. A previsão é que o valor chegue perto dos R$ 180 bilhões no fim de 2025. 

Como as estatais serão precificadas?

As firmas contratadas para examinar as empresas públicas de Minas precisarão cumprir serviços como diligências prévias contábil-patrimonial e jurídica, além de avaliações socioambientais, técnico-operacionais e econômico-financeiras.

A expectativa do BNDES é que os relatórios fiquem prontos em até 90 dias após a assinatura dos contratos.

A Copasa, embora tenha sido formalmente oferecida ao Palácio do Planalto, não deve entrar no pacote. O Executivo federal, inclusive, já sinalizou não possuir interesse em assumir o controle da estatal de saneamento.

Conflito de teses

Segundo as regras do Propag, os estados precisam formalizar, até 30 de outubro, a lista de bens que pretendem ceder à União. No entendimento do governo de Minas, o encaminhamento da relação precisaria ser acompanhado de documentos comprovando a aprovação de leis autorizando a transferência dos ativos.

A Assembleia Legislativa, contudo, tem percepção diferente e acredita que, a despeito do prazo de outubro, os projetos podem ser aprovados até o fim de dezembro.

A dissonância interpretativa fez o vice-governador Mateus Simões (Novo) afirmar que perguntará à União se é possível encaminhar as ofertas de federalização antes da aprovação das leis.

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