Presidente do PSD mineiro concorda com crítica de Pacheco sobre antecipação da eleição: ‘Não há guerra no partido’

Cássio Soares refuta divisão na sigla e diz que é preciso concentrar energia em ‘resolver problemas do momento’
O deputado Cássio Soares
Deputado estadual Cássio Soares preside o PSD mineiro. Foto: Alexandre Netto/ALMG

Presidente do PSD em Minas Gerais, o deputado estadual Cássio Soares disse a O Fator concordar com o correligionário Rodrigo Pacheco, que criticou o que chamou de “tentativa desenfreada de antecipação do calendário eleitoral”. A declaração do senador, dada em meio à possibilidade de o vice-governador Mateus Simões deixar o Novo e ingressar nos quadros pessedistas, foi vista por aliados do congressista como uma tentativa de marcar posição na legenda e impedir uma aproximação a Simões. 

“Concordo com o senador Pacheco que não é momento de discutir processo eleitoral. Temos que concentrar as nossas energias para resolver problemas do momento”, afirmou Cássio. 

“Não há guerra no partido”, completou o dirigente.

Como O Fator vem mostrando, uma ala do PSD defende a filiação de Mateus Simões. No grupo, está parte da bancada da agremiação na Assembleia Legislativa. Pacheco, por sua vez, tem boa relação com deputados federais.

O ex-presidente do Congresso Nacional tem sinalizado a aliados que se animou com a possibilidade de disputar o governo mineiro no ano que vem. Pacheco, que tem a candidatura defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende bater o martelo sobre o futuro político no mês que vem. 

Na nota em que reafirma a intenção de permanecer no PSD, Pacheco diz enxergar disputas partidárias se sobrepondo a “interesses das pessoas”.

“Da minha parte, continuarei trabalhando com foco nas questões mais urgentes e sem nenhuma intenção de mudança, seja das minhas convicções ou de legenda partidária. Ingressei no PSD a convite de seu presidente nacional, Gilberto Kassab, permaneci dois mandatos à frente da Presidência do Senado na legenda, da qual sou grato e leal aos meus correligionários”, pontuou.

Sinais de ânimo

Pelo que soube a reportagem, Pacheco chegou, inclusive, a compartilhar com interlocutores próximos o relatório de uma pesquisa eleitoral que o coloca à frente na corrida pelo Palácio Tiradentes. 

Os acenos do ministro Luís Roberto Barroso sobre a continuidade no Supremo Tribunal Federal (STF) também ajudam aliados a acreditar que o senador concorrerá ao Executivo. Sem a possibilidade de ser indicado ao Tribunal, Pacheco passaria a considerar com mais força a hipótese de pleitear a sucessão de Romeu Zema (Novo).

A aposta do Novo

Em que pese o fato de Zema ter admitido publicamente, no “Roda Viva”, TV Cultura, a chance de Simões migrar para o PSD, o Novo aposta em trunfos — inclusive de ordem eleitoral — para mantê-lo na sigla.

Para fontes do Novo ouvidas por O Fator, a transferência para o PSD poderia fazer com que a montagem da chapa de Simões para 2026 ficasse restrita a apenas um partido, afastando uma eventual ampliação do leque de alianças e abrindo caminho para que legendas da direita lancem candidatos próprios, pulverizando os votos

O entendimento é que uma coalizão liderada pela atual agremiação do vice-governador pode funcionar como uma espécie de guarda-chuva da direita, comportando forças de outras legendas não apenas em postos como os candidatos ao Senado Federal, mas também em funções importantes em um hipotético mandato de Simões à frente do Executivo. 

O exemplo citado nos bastidores é o de 2022, quando Zema encabeçou uma coligação liderada por 10 partidos — entre eles, MDB, Solidariedade, PP, PMN e Avante.

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