Carta de moradores e poucas autoridades: a audiência sobre a Mina de Jangada na ALMG

Documento defende que qualquer discussão sobre mineração na região deve partir da escuta de quem reside no território
Debate ocorreu nesta terça na comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Foto: Henrique Chendes/ALMG

A audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater as atividades na Mina de Jangada, em Brumadinho, nesta terça-feira (26), foi marcada pela ausência de órgãos de fiscalização e controle. Não houve a participação de representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público estadual (MPMG).

Durante o encontro, moradores do distrito brumadinhense de Casa Branca apresentaram uma carta aberta convidando deputados e autoridades a conhecerem o trabalho social desenvolvido na região pela Itaminas.

A reunião foi solicitada pela deputada Bella Gonçalves (PT) para tratar dos impactos socioambientais da retomada da atividade mineral no empreendimento.

As licenças ambientais de Jangada estão ativas. Trata-se de caso distinto ao da Mina do Córrego do Feijão, paralisada desde o rompimento da barragem da Vale, em 2019.

Desde o segundo semestre de 2025, o direito minerário da Mina de Jangada está sob responsabilidade da Itaminas, o que reabriu o debate público sobre a volta da mineração na área.

Carta aberta

Durante a audiência, foi apresentada uma carta aberta assinada por moradores e lideranças comunitárias do distrito de Casa Branca, que reúne localidades como Casa Branca, Jangada e Jardim Casa Branca, em Brumadinho.

O documento, datado desta terça-feira, afirma que a comunidade vive com as marcas da tragédia de janeiro de 2019, quando perderam familiares, amigos e vizinhos, e que qualquer discussão sobre mineração na região deve partir da escuta de quem reside no território e sente cotidianamente seus impactos.

Na carta, os moradores relatam que a relação com a Itaminas e com o Instituto ItaViva vem sendo construída de forma direta, com presença constante no distrito de Casa Branca e na comunidade de Jangada. O texto registra que mais de 700 pessoas participam de projetos apoiados pelo instituto, como atividades esportivas para crianças e jovens, projetos de música e artes, ações voltadas para mulheres e idosos, além de iniciativas de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade, como distribuição de cestas básicas e apoio para obtenção da carteira de motorista.

Os moradores também mencionam ações da própria Itaminas, como manutenção de trechos viários, plantio de mudas, fornecimento e bombeamento de água para a comunidade e obras de infraestrutura, incluindo a iluminação do campo de futebol de Casa Branca. Segundo o documento, essas iniciativas integram o cotidiano do distrito e precisam ser consideradas quando se discute o retorno da mineração, sem que isso implique relativizar a necessidade de controle e fiscalização da atividade.

A carta reforça que projetos sociais e investimentos em infraestrutura não substituem o acompanhamento técnico da mineração nem a obrigação de garantir segurança, transparência e responsabilidade por parte das empresas e do poder público. Os moradores afirmam apoiar o debate sobre mineração, desde que ele seja conduzido com respeito ao meio ambiente, fiscalização rigorosa e participação direta da comunidade nas decisões que afetam o território.

Ao convidar deputados a visitar o distrito, as lideranças locais argumentam que parte importante da realidade local não aparece em audiências, relatórios ou discursos. No entendimento deles, o tema só pode ser efetivamente compreendido a partir do contato direto com quem vive diariamente os efeitos da mineração e a expectativa em relação à retomada das operações em Jangada.

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