A audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater as atividades na Mina de Jangada, em Brumadinho, nesta terça-feira (26), foi marcada pela ausência de órgãos de fiscalização e controle. Não houve a participação de representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público estadual (MPMG).
Durante o encontro, moradores do distrito brumadinhense de Casa Branca apresentaram uma carta aberta convidando deputados e autoridades a conhecerem o trabalho social desenvolvido na região pela Itaminas.
A reunião foi solicitada pela deputada Bella Gonçalves (PT) para tratar dos impactos socioambientais da retomada da atividade mineral no empreendimento.
As licenças ambientais de Jangada estão ativas. Trata-se de caso distinto ao da Mina do Córrego do Feijão, paralisada desde o rompimento da barragem da Vale, em 2019.
Desde o segundo semestre de 2025, o direito minerário da Mina de Jangada está sob responsabilidade da Itaminas, o que reabriu o debate público sobre a volta da mineração na área.
Carta aberta
Durante a audiência, foi apresentada uma carta aberta assinada por moradores e lideranças comunitárias do distrito de Casa Branca, que reúne localidades como Casa Branca, Jangada e Jardim Casa Branca, em Brumadinho.
O documento, datado desta terça-feira, afirma que a comunidade vive com as marcas da tragédia de janeiro de 2019, quando perderam familiares, amigos e vizinhos, e que qualquer discussão sobre mineração na região deve partir da escuta de quem reside no território e sente cotidianamente seus impactos.
Na carta, os moradores relatam que a relação com a Itaminas e com o Instituto ItaViva vem sendo construída de forma direta, com presença constante no distrito de Casa Branca e na comunidade de Jangada. O texto registra que mais de 700 pessoas participam de projetos apoiados pelo instituto, como atividades esportivas para crianças e jovens, projetos de música e artes, ações voltadas para mulheres e idosos, além de iniciativas de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade, como distribuição de cestas básicas e apoio para obtenção da carteira de motorista.
Os moradores também mencionam ações da própria Itaminas, como manutenção de trechos viários, plantio de mudas, fornecimento e bombeamento de água para a comunidade e obras de infraestrutura, incluindo a iluminação do campo de futebol de Casa Branca. Segundo o documento, essas iniciativas integram o cotidiano do distrito e precisam ser consideradas quando se discute o retorno da mineração, sem que isso implique relativizar a necessidade de controle e fiscalização da atividade.
A carta reforça que projetos sociais e investimentos em infraestrutura não substituem o acompanhamento técnico da mineração nem a obrigação de garantir segurança, transparência e responsabilidade por parte das empresas e do poder público. Os moradores afirmam apoiar o debate sobre mineração, desde que ele seja conduzido com respeito ao meio ambiente, fiscalização rigorosa e participação direta da comunidade nas decisões que afetam o território.
Ao convidar deputados a visitar o distrito, as lideranças locais argumentam que parte importante da realidade local não aparece em audiências, relatórios ou discursos. No entendimento deles, o tema só pode ser efetivamente compreendido a partir do contato direto com quem vive diariamente os efeitos da mineração e a expectativa em relação à retomada das operações em Jangada.