A Rede Sustentabilidade e as lideranças políticas responsáveis pelo processo de refundação do PTB articulam uma parceria rumo a 2026. O novo partido corre contra o tempo para conseguir, da Justiça Eleitoral, a autorização para disputar a eleição do ano que vem. Caso o aval não chegue a tempo, há a possibilidade de a Rede dar legenda a candidatos do novo PTB, possibilitando a participação da sigla, ainda que indiretamente, no pleito.
A hipótese foi discutida no sábado (8), no Rio de Janeiro (RJ), durante reunião entre dirigentes da Rede e do novo PTB. Participaram do encontro o ex-vice-prefeito de Belo Horizonte, Paulo Lamac, que é porta-voz nacional da Rede, e o ex-deputado federal Mário Assad Júnior, que coordena o processo de reconstrução do PTB em Minas. Estiveram presentes, ainda, a ex-senadora Heloísa Helena, pela Rede, e o ex-deputado federal Vivaldo Barbosa, líder nacional do projeto de formação da nova sigla.
Entusiastas do novo PTB buscam afastar a legenda do caminho seguido por Roberto Jefferson, que alinhou a sigla ao bolsonarismo. O PTB de Jefferson, cabe lembrar, se fundiu ao Patriota, dando forma ao PRD. A ideia dos articuladores da refundação é posicionar a agremiação à esquerda do espectro político, com inspiração no ex-presidente João Goulart.
A O Fator, Lamac e Assad confirmaram que as agremiações debatem a possibilidade de a Rede filiar temporariamente quadros do novo PTB por causa da eleição do ano que vem.
“A Rede passou por isso, quando não conseguiu se regularizar para o pleito de 2014. O PSB acolheu os candidatos”, lembra o ex-vice-prefeito de BH.
Segundo Lamac, caso as tratativas avancem por esse sentido, os mandatos de eventuais vitoriosos ligados ao PTB seriam do novo partido, sem chances de a Rede reivindicá-los judicialmente.
De acordo com Assad, Rede e PTB abriram conversas por causa das semelhanças ideológicas.
“Foi uma discussão muito franca e aberta, mas, acima de tudo, com muita afinidade”, pontua.
Força-tarefa por assinaturas
Ainda que os partidos admitam a possibilidade de união informal para 2026, a prioridade, neste momento, é garantir que o novo PTB consiga as assinaturas suficientes para se registrar a tempo da eleição. Por isso, a Rede se comprometeu a participar de mobilizações na busca pelo número necessário de apoios.
O PTB já está na fase de busca pelas assinaturas, mas as subscrições precisam ser conferidas e homologadas individualmente pela Justiça Eleitoral, o que leva tempo. Parte dos apoiamentos já foi encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A legislação exige que as assinaturas correspondam a no mínimo 0,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados na última eleição geral. As subscrições precisam estar distribuídas em ao menos um terço dos estados, com 0,1% do eleitorado de cada um deles.
Em Minas, a refundação do PTB é apoiada por nomes como o ex-deputado federal Saraiva Felipe e o médico Apolo Heringer.
