Políticos mineiros atuam para refundar o PTB; entenda articulações

Grupo do ex-deputado Vivaldo Barbosa, nascido em Manhumirim, se organiza para recriar legenda trabalhista
Deputado constituinte, Vivaldo Barbosa lidera tratativas por recriação do PTB. Foto: Pedro França/Agência Senado

Há mais de um ano, o advogado e ex-deputado constituinte Vivaldo Barbosa, nascido em Manhumirim, na Zona da Mata, conduz costuras políticas para tentar refundar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A legenda, que nos últimos anos foi comandada por Roberto Jefferson, apoiador público do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nasceu para abrigar o ex-presidente Getúlio Vargas e, até o golpe militar, serviu como casa de políticos de inclinações à esquerda, como o ex-presidente João Goulart e o ex-governador Leonel Brizola.

O plano do grupo de Barbosa, agora, é resgatar a essência do que consideram como trabalhismo e dar forma a um novo partido. Em Minas Gerais, a iniciativa conta com o apoio de nomes como o ex-deputado federal Mário Assad Júnior, que deixou a presidência estadual do PSB em 2023. Carlos Mota, que também representou o PSB mineiro na Câmara dos Deputados, é outro entusiasta da refundação petebista.

Simpatizantes à proposta, aliás, vão se reunir em Belo Horizonte nesta sexta-feira (14) para debater os termos da reorganização da legenda. 

“Estamos refundando (o partido) para retomar aquilo que o PTB já foi. O PTB foi a expressão do trabalhismo”, diz Barbosa a O Fator, citando tópicos como a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada por Getúlio, e a Previdência Social. 

Barbosa classifica o trabalhismo como um pensamento “genuinamente nacional”. Por isso, defende mais espaço à corrente no debate político brasileiro.

“O socialismo e a social-democracia da Europa nos inspiram, mas somos coisas diferentes, especialmente porque o trabalhismo incorpora o nacionalismo, que é o domínio de nossas riquezas e dos setores estratégicos nacionais”, completa.

Entenda os trâmites

No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apoiou a fusão do antigo PTB ao Patriota, dando forma ao Partido Renovação Democrática (PRD). Assim, a agremiação, que utilizava o “14” como número eleitoral, deixou de existir. A ala de Barbosa, então, pediu à Justiça Eleitoral autorização para os trâmites de refundação.

Em maio, após um vaivém judicial e embates nos tribunais com um grupo ligado a Roberto Jefferson, a Justiça permitiu o início da coleta de assinaturas apoiando a criação do novo PTB, baseado no programa apresentado por Barbosa. Para que o partido possa funcionar legalmente e disputar eleições, cerca de 500 mil pessoas devem subscrever um documento dando aval à ideia.

Embora João Goulart e Getúlio Vargas sejam citados nas conversas a respeito de um novo PTB, Vivaldo Barbosa afirma que Leonel Brizola é a figura mais lembrada.

“Brizola foi portador de ideias muito profundas da vida brasileira”, lembra ele, que além de ter sido eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi secretário de Estado de Justiça do Rio no governo do aliado.

Meio ambiente em pauta

Em Minas, os defensores da refundação do PTB querem abordar, também, questões ligadas ao Meio Ambiente e à preservação dos recursos naturais.

“Vivaldo traz à tona a discussão da questão trabalhista, seu vínculo com a questão ambiental, e a questão previdenciária. (O debate) sai um pouco dessa polarização meio obtusa — que hoje só discute costumes, e não se debruça de verdade sobre os problemas do país e da humanidade”, explica Mário Assad Júnior.

No ano passado, o grupo de Assad deixou o PSB após a mudança na direção estadual do partido. O ex-deputado federal deixou a presidência da legenda, dando lugar ao deputado estadual Noraldino Júnior.

Os ’fins’ do PTB

O PTB nasceu em 1945, sob as mãos de Getúlio Vargas. O trabalhismo era uma das principais correntes políticas nacionais àquele tempo. Prova disso é que, sob a bandeira petebista, João Goulart, o Jango, então vice-presidente,chegou à presidência em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros.

Com o endurecimento da ditadura e a extinção de partidos políticos, o PTB deixou de existir. Depois, em 1979, Leonel Brizola, retornado do exílio, travou, com Ivete Vargas, da mesma São Borja (RS) de Getúlio, uma disputa pelo direito de refundar o partido. No fim das contas, a Justiça Eleitoral concedeu a Ivete o direito de utilizar o nome do PTB.

Brizola, então, criou o PDT. Paralelamente, no PTB, o grupo de Jefferson foi ganhando espaço. O último ato do partido em uma eleição nacional foi o lançamento da candidatura de Padre Kelmon ao Palácio do Planalto dois anos atrás.

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