O mercado livre de energia, onde concessionárias de geração e consumidores (indústrias, shoppings e supermercados, por exemplo) negociam o preço da eletricidade livremente, ganhou força em julho, com crescimento de 7,3% no número de clientes. Em contrapartida, a adesão ao mercado regulado, a que os consumidores residenciais têm acesso e pagam tarifa fixa, registrou queda de 6,6%.
Os dados, divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), indicam que a migração para o ambiente livre é uma tendência. O movimento é explicado pelo impacto no bolso.
Um estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostra que as tarifas de energia no mercado regulado subiram 177% entre 2010 e 2024, 45 pontos percentuais acima da inflação. No mesmo período, o preço de longo prazo no mercado livre variou 44%, 64 pontos percentuais a menos do que a inflação.
Quem pode negociar
Desde janeiro de 2024, todos os consumidores conectados na alta e na média tensão, conhecidos como Grupo A, podem optar pela migração ao mercado livre. As empresas com demanda acima de 0,5 MW podem optar pela participação direta na CCEE, sendo necessária a adesão, ou a partir da representação por um agente varejista.
A partir de dezembro de 2027, de acordo com a Medida Provisória nº 1.300/2025, todos os consumidores, inclusive os residenciais, estarão aptos a migrar para este ambiente.
Negócios no mercado livre
A liquidação do Mercado de Curto Prazo (MCP), onde são ajustadas as diferenças entre o volume contratado e o consumido, movimentou R$ 2,91 bilhões em julho.
Importante ressaltar que o MCP também é conhecido como “balcão”. As empresas recorrem a ele quando o montante contratado para o mês é insuficiente.
Panorama do setor de energia
Apesar da alta no mercado livre, o consumo total de eletricidade no Brasil registrou uma leve retração de 1,4% em julho, comparado com o mesmo período de 2024. O consumo total no Sistema Interligado Nacional (SIN) foi de 67.339 megawatts médios (MWm).
Do lado da oferta, a geração total de energia somou 69.087 MWm, queda de 0,7% frente a julho do ano passado. A temperatura mais amena, que inibe o uso de equipamentos de resfriamento, explicam a retração.
Com a intensificação do período seco, que vai de abril a outubro, as usinas termelétricas e solares apresentaram crescimento de 25,6% e 14,1%, respectivamente, enquanto as grandes hidrelétricas tiveram uma retração de 10,2%.