Itamaraty não explica por que deixou de exigir retirada das tropas russas

Brasil descartou linguagem sobre “retirada imediata e incondicional” das forças russas na Ucrânia, que tinha apoiado na ONU
Marcelo Viegas no Itamaraty (2)
Ministro Marcelo Viegas (ao centro) no Itamaraty: sem explicação para o abandono da linguagem sobre retirada dos russos. Foto: Cedê Silva/O Fator

O diplomata Marcelo Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, não soube responder nesta segunda (15) à pergunta de O Fator sobre o motivo para o Brasil abandonar a exigência de retirada incondicional das tropas russas da Ucrânia, como consta em resoluções aprovadas na ONU com voto a favor do Brasil.

Em maio de 2024, o enviado especial Celso Amorim assinou na China uma “proposta de paz” que na prática normaliza a invasão russa.

O texto é muito diferente das resoluções aprovadas pela Assembleia Geral da ONU, com voto favorável do Brasil, em março de 2022 e de novo em fevereiro de 2023, exigindo a retirada imediata e incondicional de todas as forças militares russas na Ucrânia. Desde então, a diplomacia brasileira abandonou essa linguagem e fala em negociações sem essa condição.

“Desculpe, eu não tenho nada preparado especificamente para essa pergunta”, disse Viegas, em coletiva de imprensa no Itamaraty. “Eu nem sei se reflete adequadamente a realidade”.

“O Brasil, desde a visita com a China, estabeleceu um grupo de amigos pela paz, e busca aportar uma perspectiva do Sul Global para a resolução pacífica do conflito na Ucrânia”, acrescentou o ministro Viegas (patente de diplomata logo abaixo da de embaixador).

Segundo o site do próprio Itamaraty, o BRICS serve como “foro de articulação político-diplomática e de cooperação de países do Sul Global” – o bloco inclui a Rússia, mas não a Ucrânia.

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