A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou para consulta pública dois projetos de gasodutos que colocam Minas Gerais entre as prioridades de expansão da malha nacional de gás do Brasil. O primeiro liga Iacanga (SP) a Uberaba, no Triângulo Mineiro. O segundo, Bragança Paulista (SP) a Extrema, no Sul de Minas.
Os empreendimentos somam R$ 3,3 bilhões em investimentos em construção e material, segundo estimativa da EPE com dados de abril de 2025. O mercado, no entanto, prevê que apenas o ramal de Uberaba chegue a R$ 5 bilhões.
“São projetos históricos e esperamos que, após a conclusão da consulta pública, tenhamos avanços efetivos para a implementação da infraestrutura, que também será estratégica para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais”, afirmou o Ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, a O Fator.
A expectativa é que os gasodutos interiorizem a infraestrutura energética, reduzam custos logísticos e diversifiquem a matriz estadual, fatores considerados essenciais para a competitividade industrial e a atração de investimentos para Minas.
As propostas integram o Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB) e estão abertas a contribuições pelo e-mail [email protected] até 28 de outubro.
Uberaba no radar industrial
Com R$ 3,145 bilhões em investimentos iniciais previstos, o gasoduto Iacanga–Uberaba terá 260 quilômetros de extensão, dos quais 30 km aproveitarão faixas de domínio já existentes. Ele terá capacidade de fluxo bidirecional de 6 milhões de m³ por dia.
O projeto atenderia à crescente demanda do Triângulo Mineiro e ainda pode viabilizar duas frentes estratégicas: o polo gás-químico de Uberaba, planejado há mais de uma década, e a cadeia de produção de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar, cujo cultivo é predominante na divisa de Minas com São Paulo e Goiás.
O documento da EPE destaca que Uberaba e Uberlândia, juntas, superam Belo Horizonte em valor de atividade industrial.
Sul de Minas conectado
O segundo projeto, o gasoduto Bragança Paulista–Extrema (GASBEX), orçado em R$ 200 milhões, prevê 28 quilômetros de extensão e atenderá diretamente o polo industrial de Extrema, com projeção de demanda para Pouso Alegre, Três Corações e Varginha.
De caráter unidirecional, o ramal é uma necessidade da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), que já planeja uma futura expansão da rede a partir de Extrema para atender o Sul do estado.
Expansão coordenada
O PNIIGB é um instrumento federal de planejamento da infraestrutura de gás, responsável por identificar projetos prioritários com relevância estratégica, técnica e ambiental.
Esta edição do plano reúne 12 propostas em todo o país, com foco em ampliar a malha de transporte, reforçar a segurança de suprimento e integrar o biometano ao sistema energético nacional.
Após análise das contribuições, os projetos aprovados poderão integrar as carteiras de concessão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), abrindo caminho para as autorizações e a execução das obras.