A secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade, e o prefeito de Divinópolis (Centro-Oeste), Gleidson Azevedo, do Novo, têm se aproximado. A aliança informal surgiu com o objetivo de pressionar os governos federal e de Minas Gerais pela abertura do Hospital Regional de Divinópolis.
A aproximação começou cerca de 15 dias atrás. Em entrevista a uma rádio de Divinópolis, Gleidson apontou atrasos no cronograma estabelecido pelo governo estadual para a entrega da casa de saúde. Como parte do problema se deve a um imbróglio entre o estado e a União sobre as regras de um eventual repasse da gestão do hospital ao governo federal, ele pediu que lideranças da região se unissem para destravar a questão.
“Eu disse que era preciso reunir todos os prefeitos da região e lideranças como a Gleide, que têm influência no governo federal, para ajudar na celeridade da entrega do hospital”, relembra Gleidson, a O Fator.
Dez minutos após a entrevista, o telefone do prefeito tocou. Era Gleide Andrade. Marcaram uma reunião para a semana seguinte e começaram a desenhar um plano conjunto de ações.
“Na ocasião, ele fez um apelo público para que todas as pessoas se unissem para que o Hospital Regional saísse do papel, e chegou a me citar nominalmente, dizendo que eu poderia ajudar nesse esforço. A partir desse gesto, aceitei o pedido de ajuda e me coloquei à disposição para somar na efetivação do hospital”, conta a dirigente do PT.
Cessão gratuita ou abatimento da dívida?
Conforme noticiado por O Fator, governo de Minas e União divergem sobre as regras que vão nortear o repasse do hospital à gestão federal. O Palácio Tiradentes defende a assinatura de um termo de cessão do espaço, enquanto a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) pleiteia a transferência nos termos de um acordo de cooperação firmado em janeiro, que prevê o repasse à Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). A instituição, por sua vez, entregaria a administração à Ebserh.
O termo de cessão, segundo apurou O Fator, tem como propósito permitir que o hospital seja incluído no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A equipe do governador Romeu Zema (Novo) vê na manobra uma forma de abater parte dos débitos estaduais por meio da transferência de bens ao patrimônio da União.
Coube a Gleide buscar uma agenda com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para obter uma sinalização de interesse federal pelo hospital. O encontro, que terá a presença do prefeito de Divinópolis, deve acontecer na semana que vem.
“Não vejo problema em dividir uma agenda com o prefeito Gleidson, assim como o presidente Lula também divide agendas com gestores de outros partidos, como o governador Tarcísio (de Freitas, de São Paulo). O que realmente importa é o propósito da agenda. — e, neste caso, trata-se de uma pauta que está acima de qualquer divergência partidária: a defesa de um hospital público que vai atender uma população de 2,6 milhões de pessoas”, aponta
Caso o governo federal aceite o repasse, a petista projeta que a União assumiria um custo mensal estimado em cerca de R$ 30 milhões, considerando a operação integral do hospital, que será entregue já equipado pelo Executivo estadual.
Polarização fica de lado
Nas redes sociais, Gleidson e Gleide publicaram um vídeo em que admitem as diferenças ideológicas, mas apontam a necessidade de apartá-las momentaneamente.
“Nem por isso eu vou deixar de ser de direita e ela de esquerda. Eu sou pela anistia”, afirma o prefeito, que estende o microfone para a dirigente nacional do PT.
“E eu sou contra a anistia”, responde Gleide, convicta.
