Por que vereadores do Novo são contra projeto do governo de Minas para navegação imediata na Pampulha

Executivo estadual e PBH estão na corrida pelo lançamento de barcos na lagoa no curto prazo; parlamentares municipais são contra
Dados apresentados em audiência confirmam a permanência da poluição no reservatório, apesar de programas anteriores de despoluição. Foto: Rodrigo Clemente/PBH

Enquanto o governo de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) disputam a paternidade do projeto de navegação na Lagoa Pampulha, os vereadores do Novo, partido do governador Romeu Zema, resolveram remar em outra direção. Braulio Lara, Fernanda Altoé e Marcela Trópia dizem que a qualidade da água, essencial para o traslado de qualquer embarcação, continua inquestionavelmente ruim.

Nesta segunda-feira (10), em audiência pública convocada por eles na Câmara Municipal, o trio voltou ao tema com novos dados.

“Não podemos dar um passo sobre navegação sem garantir a saúde das pessoas nas águas da Pampulha”, disse Braulio, a O Fator.

A posição dos vereadores bate de frente com a declaração do vice-governador Mateus Simões (PSD) durante o lançamento do projeto de embarcação turística, em 24 de setembro, quando afirmou que “a água da lagoa já está limpa”.

A afirmação foi usada pelo governo estadual para defender um investimento de R$ 1 milhão no programa de navegação, que teria início entre dezembro e janeiro deste ano e foi vetado pela PBH. O Executivo belo-horizontino, agora, está na frente da corrida pela navegação no espelho d’água, já que a licitação aberta pelo município na semana passada para o aluguel de um barco continua a todo vapor.

Saia justa e capital político

O anúncio do projeto estadual, feito sem diálogo prévio com a bancada do Novo, aliás, pegou os parlamentares de surpresa. O convite para o lançamento da iniciativa chegou às 16h da véspera e, segundo interlocutores, um dos vereadores chegou a tentar dissuadir a comitiva de seguir com o lançamento.

Além do vice-governador, participaram a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, a secretária de Cultura, Bárbara Botega, e o presidente da Companhia de Saneamento (Copasa), Fernando Passalio, .

A revitalização do principal cartão-postal da capital pode render dividendos eleitorais expressivos. Afinal, Belo Horizonte concentra cerca de 20% do eleitorado mineiro.

Mas o tema virou também um divisor dentro do Novo. “Durante a CPI que investigou irregularidades na Lagoa da Pampulha, em 2024, o governo do Estado deu vários sinais de que não estava no mesmo barco que os vereadores, o que causou bastante mal-estar”, disse uma fonte ligada ao partido.

A audiência pública

Convocada pela bancada do Novo, a audiência pública realizada nesta segunda-feira apresentou um relatório inédito da startup Infinito Mare, com dados que apontam a permanência da poluição no reservatório, apesar de programas anteriores de despoluição. O documento aponta a presença de metais dissolvidos, poluentes orgânicos e alta carga de nutrientes, com florações de cianobactérias e assoreamento.

Um dos dados mais alarmantes é a concentração de lantânio, 3,85 milhões de vezes acima do limite previsto em legislações internacionais. O elemento foi utilizado em argila modificada (Phoslock) aplicada pela PBH a partir de 2015 para combater o fósforo.

Embora o relatório não acuse diretamente a prefeitura, a vereadora Marcela Trópia afirmou que o uso de uma tecnologia importada sem monitoramento adequado “pode estar gerando riscos ambientais” e defendeu “soluções baseadas em ciência e inovação”.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Leia também:

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Prefeitura de Contagem estuda internação compulsória de pessoas em situação de rua

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse