Deputados federais de partidos que, em Minas Gerais, integram a base aliada do governador Romeu Zema (Novo), manifestaram incômodo com a postura do chefe do Executivo estadual em temas de maior visibilidade nacional, que envolvem decisões em Brasília (DF).
O grupo reclama que Zema evita dividir o protagonismo em pautas consideradas estratégicas para a oposição, mas, ao mesmo tempo, articula para que essas siglas componham a coligação do vice-governador e pré-candidato ao governo de Minas, Mateus Simões (PSD).
A insatisfação cresceu após as agendas do governador em Brasília na última quarta-feira (12), especialmente o encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Zema se reuniu com Motta e outros governadores, entre eles Cláudio Castro (Rio de Janeiro) e Ronaldo Caiado (Goiás), para discutir o projeto de lei conhecido como PL Antifacção. O tema vem sendo explorado por oposicionistas para desgastar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proposta, enviada pelo Executivo federal à Câmara após a operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes, foi modificada pelo relator designado por Motta, o deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP).
Antes da reunião na presidência da Câmara, Zema cumpriu outras agendas na capital federal, mas nenhum deles com a presença de parlamentares mineiros, o que ampliou o desconforto entre aliados que consideram haver um esforço do governador para centralizar o protagonismo político em torno de seu nome.
Deputados mineiros avaliam que, nesse caso específico, o governador poderia ter dividido os holofotes – ou, como disseram, “as fotos”. O assunto é considerado de alto interesse do eleitorado desses parlamentares, sobretudo do Partido Liberal (P).
Além disso, esperavam que Zema exercesse um papel mais institucional, articulando o apoio da bancada mineira à proposta em tramitação na Câmara, por exemplo.
“Não é um assunto que não tenha nada em comum com deputados mineiros que apoiam ele. Então, obviamente, que ele poderia aproveitar essa agenda para esticar em outra com deputados que são favoráveis ao texto. Todos ganhariam. Principalmente porque ele quer o apoio dos nossos partidos em 2026”, resumiu um interlocutor ouvido pela reportagem.
Desconforto entre governadores
Como mostrou O Fator, a saída antecipada de Zema da reunião realizada em Brasília para discutir o PL Antifacção causou desconforto entre os outros chefes de Executivos estaduais presentes.
O governador deixou o encontro pouco antes do encerramento por causa de outro compromisso em Belo Horizonte. Antes de partir, porém, concedeu uma coletiva de imprensa sozinho no Salão Verde da Câmara.
O que mais incomodou o grupo foi o intervalo inferior a dez minutos entre o fim da entrevista do mineiro e a chegada dos demais governadores ao mesmo salão, onde também falaram com jornalistas.
Embora tenha permanecido no local para atender outros pedidos da imprensa, Zema não voltou para participar da coletiva conjunta. A situação também foi interpretada como um gesto direcionado ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).