O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou que Jair Bolsonaro (PL) tenha pedido para que ele seja candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições do ano que vem. O mineiro falou com a imprensa após visitar o ex-presidente, na manhã desta sexta-feira (21), que cumpre prisão domiciliar em um condomínio em Brasília.
“Não houve esse pedido (para ser candidato). O governo de Minas é complexo porque é um estado que precisa continuar não tendo o PT ali à frente. A gente sabe o que a gente passou com o governo do PT e a gente sabe que o cenário está difícil por conta dessas indefinições. Quem será o presidente da República? Não sabemos, então isso dificulta as articulações com os demais”, disse.
Nikolas acrescentou que, apesar de aparecer em pesquisas de intenção de votos e ter alcance expressivo nas redes sociais, isso não significa que esta seja a hora de buscar o governo estadual. Segundo ele, só participará de uma disputa quando houver estrutura suficiente para montar uma equipe e se preparar para o processo eleitoral, já que tem “apenas 29 anos”.
“Talvez seja loucura o que vou falar agora porque qualquer político do sistema se candidataria no meu lugar. Estou primeiro nas pesquisas, tenho uma rede social mais forte do Brasil em âmbito político, tenho vigor, tenho juventude, mas creio que eu não posso trocar o presente pelo futuro”, disse Nikolas.
“É necessário ter estrutura para enfrentar aquilo que irei enfrentar. É como se eu fosse me candidatar a ser um piloto de avião sendo que os passageiros estão colocando o dedo no meu olho e querem que o avião caia. Muitas coisas que acontecerem talvez não sejam culpa minha, mas sei como a banda toca”, completou.
O mineiro, inclusive, já tem aparecido ao lado do vice-governador e pré-candidato ao comando do estado, Mateus Simões (PSD). A aproximação, como mostrou O Fator, tem sido interpretada por aliados como indicativo de uma aliança, principalmente diante da falta de disposição de Nikolas para entrar na disputa estadual.
O PL negocia com Simões agora espaço numa chapa, como a vaga para candidato a vice-governador e uma cadeira ao Senado. Essas definições, contudo, devem ocorrer somente após que Bolsonaro definir quem será o candidato “abençoado” por ele para se candidatar à Presidência da República.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro em 4 de agosto, com uso de tornozeleira eletrônica, após descumprimento de medidas cautelares impostas no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Desde então, aliados do ex-presidente têm protocolado pedidos no Supremo para obter autorização de visita à residência onde ele cumpre prisão domiciliar, no bairro Jardim Botânico, em Brasília. Em setembro, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. A defesa tenta garantir que ele continue em regime domiciliar.