O vereador Bruno Miranda, do PDT, será o presidente da comissão processante formada para analisar o pedido de cassação de Lucas Ganem (Podemos). O colegiado foi formado nesta quinta-feira (4), minutos após o plenário da Câmara Municipal (CMBH) decidir pela abertura da investigação contra Ganem.
O relator da comissão será Edmar Branco (PCdoB). Além dele e de Miranda, o grupo terá a participação de Helton Júnior (PSD). Os componentes foram definidos por sorteio.
Os três terão prazo de 90 dias para ouvir eventuais testemunhas de acusação e de defesa, bem como as alegações de Ganem. Posteriormente, o relatório da comissão será votado em plenário. Para que o parlamentar do Podemos seja cassado, ao menos 28 vereadores terão de concordar com a punição.
Bruno Miranda e Edmar Branco, assim como Lucas Ganem, são considerados aliados da prefeitura. Helton Júnior, por sua vez, renunciou recentemente ao posto de vice-líder de Álvaro Damião (União Brasil). Os três vereadores da comissão votaram pela abertura do processo que pode culminar na cassação.
Sem Família Aro
Lucas Ganem é acusado de fraudar o domicílio eleitoral. Em 16 de outubro de 2024, matéria de O Fator mostrou que o parlamentar recém-eleito vivia em São Paulo e não possuía residência fixa em Belo Horizonte. À época, a reportagem mostrou que Ganem não aparecia em sistemas de informação de órgãos públicos de Minas Gerais.
A publicação levou o primeiro suplente na chapa do Podemos, o então vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão, a protocolar uma denúncia no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
Atualmente secretário de Esportes de BH, Rubão é ligado à chamada “Família Aro”, grupo político liderado pelo secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP). A comissão processante não terá integrantes da coalizão de Aro.
Inquérito da PF
Um inquérito da Polícia Federal (PF) acabou anexado à ação que corre na Justiça Eleitoral. No material, a esposa do proprietário da casa indicada por Ganem como endereço em BH à época da eleição, disse nunca tê-lo visto no local.
Testemunhas ouvidas no processo, incluindo a deputada federal e presidente do Podemos em Minas Gerais, Nely Aquino, relataram tentativas frustradas de entrega de material de campanha no endereço informado por Ganem. Segundo apuração, ele só teria buscado apartamento na cidade após a eleição. Outro dirigente partidário confirmou não haver comitê de campanha ou equipe atuando em Belo Horizonte.
Voto em Miranda
Em 1° de janeiro, data da posse dos vereadores, Lucas Ganem votou em Bruno Miranda para a presidência da Câmara de BH. O gesto do parlamentar abriu crise com o Podemos, já que o partido havia lançado a candidatura de Juliano Lopes, eleito para o posto.
À reportagem, Miranda projetou o trabalho à frente da comissão.
“Quero me aprofundar no que determina o regimento (sobre processos de cassação) e presidir a comissão de forma imparcial, respeitando também os prazos”, pontuou.
