A direção nacional do Podemos dissolveu os diretórios do partido em Minas Gerais e em Belo Horizonte. A decisão foi oficializada à Justiça Eleitoral nessa quinta-feira (4) e, pelo que O Fator apurou, foi tomada em retaliação à abertura do processo de cassação do mandato do vereador Lucas Ganem, filiado à legenda, na Câmara Municipal de BH (CMBH)
O Podemos mineiro é dirigido pela deputada federal Nely Aquino, e, em Belo Horizonte, pelo empresário Rony Rinco, marido de Nely. Os dois integram o grupo político do secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), também composto pelo presidente da Câmara de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos).
O processo de cassação tem sido liderado pela chamada “Família Aro” na Câmara. A ruptura do grupo político com Ganem se deu logo no primeiro dia da atual legislatura, durante a eleição da Mesa Diretora da Casa, em janeiro. Ganem havia comprometido seu voto para Juliano Lopes, mas, nos últimos dias de campanha, mudou o apoio para Bruno Miranda (PDT) após pressão de outros aliados.
Lucas Ganem é primo do deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), correligionário e colega de bancada paulista da presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, também deputada.
Outros familiares de Ganem também atuam na política paulista pelo Podemos – a tia, Clarice Ganem, é deputada estadual, e a mãe, Simone Ganen, é vereadora na capital paulista.
No sistema da Justiça Eleitoral, as composições estadual e municipal foram marcadas como “inativadas” acompanhadas da anotação “Inativado por decisão do partido”.
A reação da executiva nacional do Podemos, oficializada somente nessa sexta-feira, ocorreu menos de 24 horas após a Câmara Municipal de Belo Horizonte autorizar, por 39 votos, a tramitação do processo que pode levar à cassação de Ganem.
Interlocutores acreditam, no entanto, que o movimento feito pela direção nacional do Podemos seja uma espécie de “jogo combinado”: o partido mostra ao clã Ganem que tentou ajudar mas, após o processo, o comando da legenda em Minas deve retornar para Nely Aquino.
O processo acusa Ganem de fraude no domicílio eleitoral registrado para as eleições de 2024. O caso foi revelado por O Fator em outubro de 2024.
Ganem não quer renunciar
Antes da sessão que oficializou a abertura do processo que pode cassar Lucas Ganem, vereadores cogitavam a possibilidade de uma renúncia por parte do colega. O parlamentar, contudo, foi aconselhado por aliados a não abrir mão do mandato. A avaliação é que, em caso de punição, será possível buscar a Justiça para retornar ao cargo.
Com a abertura da apuração, a Câmara de BH formou uma comissão processante composta pelos vereadores Bruno Miranda (PDT), Edmar Branco (PCdoB) e Helton Júnior (PSD). O grupo terá 90 dias para emitir um parecer pela cassação ou não de Ganem. A opinião do colegiado, então, será levada ao plenário.
Para que o parlamentar perca o mandato, serão necessários 28 votos. A acusação de fraude ao domicílio eleitoral também embasa uma ação que corre na Justiça Eleitoral.
