O avanço de 15,8% da indústria extrativa em outubro impulsionou o crescimento de 2,9% da produção industrial de Minas Gerais na comparação com o mesmo mês de 2024. O resultado ficou acima da média nacional, que recuou 0,5% no período, segundo a Pesquisa Industrial Mensal da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
O peso da indústria extrativa também definiu o desempenho no confronto mensal. A atividade cresceu 8,9% em relação a setembro e contribuiu para a alta de 2,1% da produção industrial mineira no mês. No país, a variação foi de 0,1% na mesma base de comparação.
Enquanto a extrativa sustentou o índice geral, a indústria de transformação permaneceu no campo negativo. O setor recuou 1,2% ante setembro e 1,4% na comparação com outubro do ano passado. Nesse recorte interanual, sete das treze atividades pesquisadas registraram queda.
As retrações mais intensas ocorreram em produtos químicos, com baixa de 16,8%, materiais elétricos, com recuo de 19,9%, e derivados de petróleo e biocombustíveis, que diminuíram 4,5%. Entre os segmentos que cresceram, destacaram-se metalurgia, com alta de 4,8%, veículos, que avançaram 8,2%, e alimentos, com aumento de 1,9%.
A análise da Fiemg indica que o ambiente doméstico segue pressionando parte relevante da indústria de transformação. A política monetária contracionista, que reduz o dinheiro no mercado para segurar a inflação, afeta a disponibilidade de crédito e o consumo de bens duráveis, o que impacta diretamente materiais e equipamentos elétricos.
O custo elevado do financiamento também reduz o ritmo da Construção Civil, influenciando negativamente o setor de minerais não metálicos. Já a produção de veículos ainda não absorveu a recente queda das exportações brasileiras para a Argentina.
Desempenho da indústria mineira (out/24 x out 25)
Indústria geral
- Indústria extrativa: +15,8%
- Indústria de transformação: –1,4%
Atividades da indústria de transformação
- Veículos: +8,2%
- Papel e celulose: +7,7%
- Bebidas: +7,6%
- Metalurgia: +4,8%
- Alimentos: +1,9%
- Borracha e material plástico: +2,3%
- Produtos de metal: –4,3%
- Máquinas e equipamentos: –4,1%
- Derivados de petróleo e biocombustíveis: –4,5%
- Minerais não metálicos: –9,9%
- Fumo: –15,2%
- Produtos químicos: –16,8%
- Materiais elétricos: –19,9%
Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a outubro, a produção industrial mineira cresceu 0,8% em relação ao mesmo período de 2024. A indústria de transformação avançou 0,9% e a extrativa, 0,4%.
Oito atividades da transformação registraram alta no ano, com maior contribuição de veículos, metalurgia e alimentos. Cinco recuaram, com destaque para derivados de petróleo e biocombustíveis, materiais elétricos e minerais não metálicos.
O que dizem os pesquisadores
Para os pesquisadores da Fiemg, os resultados de outubro reforçam a expectativa de crescimento moderado até o fim do ano. Embora o desempenho de Minas Gerais siga acima da média nacional, a atividade industrial permanece sensível aos cenários doméstico e externo.
Internamente, o crédito mais caro reduz a capacidade de investimento e consumo, o que atinge setores dependentes de financiamento e que produzem bens de maior valor agregado. No mercado externo, as negociações recentes com os Estados Unidos retiraram taxações adicionais sobre produtos como carnes e café, favorecendo a agroindústria mineira.