O governo Lula recuou de uma decisão anterior e retomou o Plano Brasil Sem Fome, que deveria ter sido extinto quando o país deixou o Mapa da Fome da ONU, em julho.
O recuo foi publicado no Diário Oficial na quinta passada (18).
A decisão foi tomada discretamente, sem anúncios ou notas à imprensa.
O decreto do Plano Brasil Sem Fome, publicado em agosto de 2023, determinava que o plano “terá duração até que o País saia do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas”.
Esse trecho foi revogado.
O site do Ministério do Desenvolvimento Social também deixa claro: “O Plano Brasil Sem Fome (BSF) é a estratégia do governo federal para tirar o Brasil do Mapa da Fome”. A meta era fazer isso até 2030.
Em nota a O Fator, o ministério afirmou que “[m]anter o Plano Brasil Sem Fome vigente expressa, portanto, o compromisso de seguir alcançando as pessoas que ainda vivem em insegurança alimentar grave e de preservar o conjunto de políticas, programas, ações e benefícios responsáveis por garantir alimentação a milhões de brasileiros e brasileiras (…) essa continuidade é essencial para evitar retrocessos, especialmente em um país marcado por profundas desigualdades”.
Como O Fator mostrou, pelos dados publicados pela FAO em julho, no triênio 2022-2024 o Brasil ainda tinha em média 7,1 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave, ou seja, quando “as pessoas ficaram sem comida, passaram fome e, no caso mais extremo, passaram um dia ou mais sem comer”.
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