Cleitinho tenta se descolar de aliado investigado pela PF

O senador mineiro se afastou de Euclydes Pettersen após avanço da Operação Sem Desconto, que mirou o deputado
Cleitinho
O senador Cleitinho Azevedo e as articulações para as eleições de 2026. Foto: Júlio Dutra / Republicanos

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) tem buscado se afastar, ao menos publicamente, do presidente estadual de seu partido, o deputado federal Euclydes Pettersen (MG), segundo apurou O Fator.

A tentativa do senador de se descolar do correligionário está relacionada ao fato de o deputado ter sido alvo, em novembro passado, da Operação Sem Desconto, além de entraves que vinham surgindo com outras siglas nas conversas sobre as eleições de 2026.

Deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), a investigação apura o rombo bilionário causado por descontos indevidos de associados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Na época, eleitores do senador, inclusive, cobraram dele, em comentários nas redes sociais, uma posição sobre a atuação do aliado no âmbito das apurações sobre o INSS, principalmente porque Cleitinho vinha publicando vídeos sobre o tema.

Nos corredores do Congresso Nacional, antes do escândalo, era comum ouvir que, a quem quisesse saber onde Cleitinho estava, bastava observar os movimentos de Pettersen — e vice-versa. Isso mudou, principalmente, a partir de dezembro.

Na ocasião, foi aprovado um projeto de autoria do senador, relatado na Câmara por Pettersen, que tratava da isenção do IPVA. Enquanto o deputado federal publicou a dobradinha no feed, Cleitinho, que avalia a possibilidade de concorrer ao governo do estado, preferiu não dar ênfase.

Segundo interlocutores, por causa da proximidade construída ao longo dos anos, a relação não pode ser rompida, inclusive pelo fato de Euclydes ser presidente do Republicanos no estado. Eles ressaltam, no entanto, que o distanciamento foi favorecido pelas férias.

Alianças

Ao mesmo tempo, Cleitinho busca se aproximar, neste período, de nomes do PL. Como mostrou O Fator, o senador se afastou do partido em razão de posicionamentos sobre temas que acabaram respingando negativamente nos liberais.

Entre eles, está o deputado federal Nikolas Ferreira (MG). Um dos entraves foi com a PEC da Blindagem, amplamente criticada pelo senador, mas apoiada pelo PL.

Embora a relação tenha esfriado à época, os dois estão juntos, nesta semana, em uma caminhada que partiu de Paracatu, no Triângulo Mineiro, rumo a Brasília (DF) a fim de pedir a liberdade do ex-presidente de Jair Bolsonaro.

Outra frente de aproximação envolve o vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), que é pré-candidato ao comando do estado. O objetivo do senador é ampliar sua inserção nas articulações da direita sobre a sucessão do Palácio Tiradentes.

Como O Fator mostrou mais cedo, aliados de Simões veem Gleidson Azevedo (Novo), irmão do senador e prefeito de Divinópolis, no Centro-Oeste, como um bom nome para ocupar o posto de candidato a vice-governador na chapa liderada pelo PSD. O movimento, entretanto, precisaria ser validado por Cleitinho.

A reportagem mostrou, em novembro, que o fator Euclydes pesou nas negociações do Republicanos com outras agremiações sobre o comando do estado. O deputado estaria cobrando a vaga ao Senado Federal, acelerando o processo e dando declarações públicas que contrariavam nomes do PL.

Depois de ser alvo da Sem Desconto, Pettersen negou participação em irregularidades. Àquele momento, o deputado federal afirmou estar “à inteira disposição” das autoridades para prestar esclarecimentos.

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