O deputado federal André Janones (MG) vai deixar o Avante e se filiar à Rede Sustentabilidade. Nessa terça-feira (27), ele se reuniu com o porta-voz nacional de seu futuro partido, Paulo Lamac, e acenou positivamente ao convite. A informação foi confirmada pelo dirigente a O Fator.
Ainda segundo Lamac, a Rede considera a possibilidade de lançar Janones como pré-candidato ao governo de Minas Gerais. A decisão, contudo, só será tomada após diálogos com outras legendas aliadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O porta-voz também afirmou que a Rede apresentou um projeto político a Janones, sem definir de antemão o cargo que ele disputará na eleição de outubro.
“Esse projeto pode, inclusive, ser uma candidatura ao governo do estado, uma vez que existe a ausência de um palanque para o Lula neste momento”, diz.
A Rede vai tentar, junto ao Avante, a liberação antecipada de Janones. Se não houver sucesso na empreitada, a migração acontecerá em abril, durante a janela partidária.
Negociações arrastadas
O Avante sabe, desde meados do ano passado, do desejo de Janones de mudar de partido. Além da Rede, o parlamentar chegou a conversar com o PDT e com o PT.
A transferência vai ao encontro da mudança de rota do Avante. A sigla, que apoiou Lula na eleição de 2022, adotou posicionamento mais próximo da direita. Em Minas, por exemplo, o diretório estadual foi assumido por Igor Eto, ex-secretário do governo de Romeu Zema. Ele deixou o Partido Novo para tomar posse no cargo.
Busca por consenso
A Rede Sustentabilidade, cabe lembrar, forma uma federação partidária com o Psol. A união, que será renovada junto à Justiça Eleitoral, obriga os partidos a caminharem juntos no pleito deste ano.
Apesar de marcharem lado a lado, os partidos acumulam divergências em Minas. Em 2022, por exemplo, os pessolistas detinham a maioria dos assentos do colegiado da federação e lançaram a candidatura de Lorene Figueiredo ao governo. A Rede teve de apoiá-la formalmente, mas, na prática, pediu votos para Alexandre Kalil, então no PSD.
De acordo com Lamac, a definição sobre uma eventual participação de Janones na corrida ao Palácio Tiradentes terá de contar com o aval do Psol.
“Em Minas, a maioria da federação é da Rede. Naquele contexto (em 2022), o comando era do Psol. Mas, independentemente de questões matemáticas, a relação que temos com o Psol em Minas é de construção de consensos”, aponta, ressaltando que a professora Maria da Consolação, filiada ao partido aliado, já demonstrou interesse em concorrer ao governo.
À caça de um candidato
O fato de a Rede cogitar a entrada de Janones na disputa pela sucessão de Zema está alicerçada nas dificuldades enfrentadas pelo campo lulista para definir um candidato ao comando do estado.
O presidente da República tem o senador Rodrigo Pacheco (PSD) como plano A, mas o parlamentar ainda não decidiu se topa concorrer. Caso dê sinal positivo, terá de mudar de partido, já que o pré-candidato pessedista é o vice-governador Mateus Simões.
Na semana passada, integrantes do PT passaram a defender o nome da reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart, enquanto emissários do PV sondaram o ex-prefeito belo-horizontino Marcio Lacerda. Em outras legendas, há nomes como Alexandre Kalil (PDT).
